Quando o que importa já não importa tanto assim

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Eu, você, seu irmão, primo, conhecido do colégio ou faculdade, companheiro de trabalho ou companhia inseparável na balada. Todo mundo tem aquela ou aquelas pessoas que considera importantes. Aquelas você considera capazes de mudar a sua vida, fazer com que se sinta bem ou grato por simplesmente fazerem parte de pelo menos um dos vários momentos vividos ao longo dos anos.

Companheirismo. Cumplicidade. Amizade. Amor. Tem pessoas pelas quais a gente chega a viver por elas. E isso não é errado. Pode parecer invasão, mas não é errado, desde que você não faça apenas isso e, principalmente, que a reciproca seja verdadeira. O problema é que ela nem sempre é.

Em um determinado momento da vida, a gente acaba correndo atrás, se colocando a disposição quase que 24 horas por dia, se faz presente e chama a atenção como pode, escancarando a porta de entrada da sua vida com um único objetivo: Fazer com que a pessoa passe por ela e tope estar do seu lado. Quem sabe até mesmo viver por você, assim como você vive por ela. Mas a pessoa não entra.

Ao contrário do que você pensa e idealiza, ela não enxerga que, ao entrar naquela porta, pode encontrar a felicidade ou a cumplicidade que tanto desejou. Ou pior, pode pensar que, por mais que ela entre, nada do que ela viverá será por completo. Você pode até pensar que isso é um erro. Ela não vai entrar. E pode até te pedir para fechar a porta. E você simplesmente não entende o motivo. E eles podem ser vários, mas talvez essa pessoa só queira que uma outra ofereça um caminho. Uma porta.

O que é preciso entender é que essa pessoa pode encontrar várias outras portas assim como a sua. Abertas. Convidativas. Capazes de prometer o mundo. Apesar disso, você observa que essa pessoa é igual a você e age do mesmo jeito que você. Ela também abriu a sua porta, mas para alguém que não quer entrar. E provavelmente esse alguém sofre o mesmo com outra pessoa. E a Terra segue girando, girando… e você apenas se pergunta o motivo.

É nessa hora que você percebe: O que importa acaba não importando.

Naquele momento em que alguém é tudo para você, você é apenas mais um para esse alguém. E isso machuca. Ser apenas mais um incomoda. Te deixa louco a ponto de querer fazer tudo para mostrar o quanto você pode ser importante. E esse alguém sabe. Esse alguém passa pelo mesmo. Esse alguém também é tratado como mais um, sem receber a importância que merecia ou gostaria de ter. E a cadeia alimentar da relação continua extinguindo amores, paixões ou seja lá qual o nome do sentimento que se sinta. Porque o que importa acaba não importando. E poderia ser importante. Acaba não importando.

E a culpa é de quem? Minha? Sua? Da pessoa?

O mais comum é culpar o outro mas todos nós sabemos que, se fosse fácil mandar ou escolher o que se sente, ninguém sofreria por causa de alguma relação, todos seriam felizes uns com os outros e textos como esse seriam inúteis. No fim das contas, você só tem duas opções: Manter a porta aberta e continuar esperando ou fechar e seguir adiante. E tão doloroso quanto descobrir que se é apenas mais um é ter que decidir entre as duas opções. Seria tão fácil se essa pessoa entrasse pela porta. Ah, como seria.

Do mesmo jeito que todos que passam por isso, eu também gostaria que esse alguém escolhesse atravessar pela porta que abri. Se isso acontecesse, talvez eu nem estivesse aqui sentado escrevendo, mas lá fora compartilhando toda a felicidade com alguém que podia ser tudo, mas prefere ser apenas mais uma.

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Foto: José Pio

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Publicitário com raízes no jornalismo. Apaixonado por música, viciado em redes sociais e cerveja. Vive dividido entre 524541 projetos e, por isso, dorme só quando dá.

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