Apenas mais uma (história) de (não) amor…

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“Amor: 4 Letras, 2 Vogais, 2 Consoantes e 2 Idiotas”.

Essa é a história de um cara que luta diariamente contra qualquer coisa relacionada ao amor. Um cara que, ao longo de todos os anos vividos, amores encarados, alegrias e decepções enfrentadas, viveu tudo o que acredita ser possível em uma relação a dois. Riu, chorou, curtiu, viajou, transou, brigou, pensou em se casar ou ter filhos, traiu, foi traído, viveu momentos de intensidade e também de pura monotonia, entre outras experiências que ele guarda pra si e encara como ensinamentos para a vida e que o fizeram crescer como pessoa. Aliás, se tem uma coisa que ele sempre diz é que relacionamentos provocam o tão sonhado amadurecimento. E não tem como duvidar disso.

Como de costume, nem tudo é bom o bastante nessa vida e, num belo dia, ele se fechou para toda essa história de amor. “Por que insistir nisso quando tudo dá errado, não é mesmo?”, ele dizia aos quatro ventos com um tom de conformismo capaz de assustar aqueles que o conheciam e ouviam tais palavras. No fundo, ninguém acreditava que aquele cara que vivia (e acreditava) tão intensamente esse tal de amor fosse capaz de se fechar dessa forma. No entanto, passaram-se dias, meses e aquele sentimento que dentro dele estava simplesmente deixou de dar sinais. Ainda que todos a sua volta falassem ou vivessem o amor de forma intensa, lá estava ele em sua redoma, intacta, sem qualquer sinal de que um dia ele precisaria ou sentiria a necessidade de vivenciar tudo isso de novo.

Nesse tempo, ele conheceu pessoas e até chegou a se interessar por algumas delas, mas nada capaz de romper a tal redoma. Alguns acreditaram que ele ainda estava preso ao passado e ele também chegou a pensar nisso mas, num determinado ponto da vida, percebeu que aquilo não passava de uma muleta na qual ele poderia se apoiar. O problema era outro e a ficha finalmente tinha caído. Ele havia desacreditado no amor, que passou a ser apenas “uma flor que nasce no coração dos trouxas”, apenas uma ilusão da qual ele, finalmente, estava livre. “Para que se apaixonar enquanto posso focar na minha vida ou em meus projetos”, ele argumentava consigo mesmo toda noite antes de dormir.

E assim ele foi vivendo. Entre uma soneca e outra, um buteco ou um show, uma viagem ou um projeto novo, ele levava uma vida dedicada ao trabalho, aos amigos e a sua própria e solitária felicidade, conquistada nas pequenas coisas como se dar um dia de folga, beber uma cerveja diferente ou comemorar a vitória de seu time. Todo mundo via alí uma nova pessoa, capaz de se desligar do mundo e, ao mesmo tempo, de querer abraçar esse mesmo mundo, mas de uma forma totalmente diferente. Uma pessoa incapaz de planejar o que faria daqui a dez minutos, deixando tudo à obra do acaso. Foi assim que ele voltou a ser feliz… ou pelo menos acreditou naquele estágio como um momento de pura felicidade. Depois de profunda crise existencial, lá estava esse cara agarrando a vida com as unhas e tentando aproveitar o que, na cabeça dele, foi um tempo que ele poderia ter arriscado mais, errado mais ou ter feito o que queria fazer, como bem diz aquela música famosa. Se isso não poderia ser traduzido como felicidade, ele realmente não entendia o que poderia ser.

Se você se lembra, disse que essa história era sobre um cara que luta diariamente contra qualquer coisa relacionada ao amor. E ele continua lutando, evitando ao máximo deixar escapar qualquer coisa que possa ser comparada com esse sentimento e vivendo uma vida que ele acredita ser a ideal. “Amor? Quem precisa disso? Quem faz a sua felicidade é você mesmo”, diz ele enquanto observa os cacos de sua redoma espalhados pelo chão.

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Publicitário com raízes no jornalismo. Apaixonado por música, viciado em redes sociais e cerveja. Vive dividido entre 524541 projetos e, por isso, dorme só quando dá.

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