Sometimes (I Wish)

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Todo mundo já parou em algum momento para pensar na vida. Eu, você, as pessoas que estão ao seu lado… E é tão louco parar e pensar em tudo isso, já percebeu?

Nessa busca pelo tal ideal, seja ele qual for o que criamos em nossa cabeça, a gente é capaz de se perder, se encontrar, se sentir sozinho ou com o coração aquecido por ver que pessoas são capazes de cruzar o nosso caminho e, de certa forma, nos transformar.

Por muito tempo, acreditei que eu era uma pessoa auto-suficiente, que eu poderia viver sozinho e fechado em minha redoma. Tenho pessoas próximas, amigos, confidentes e a minha família, mas isso para mim era o suficiente. A vida passava e cá estava eu, quieto, vendo tudo pela janela com uma sensação inútil – e até enganosa – de paz interior. Por mais que sempre tenha guardado na cabeça a vontade de ter uma família, casar e ter filhos, não era algo para o qual eu me sentia capaz. E, se querem saber, ainda não me sinto capaz disso. A cada dia que passa, percebo que ainda tenho muito para crescer antes de me dar ao luxo de colocar uma criança nesse mundo e completar a trinca plantando uma árvore e escrevendo um livro.

No entanto, já perceberam que a vida nunca é como a gente quer? Todo mundo tem os seus ideais, as suas expectativas de crescimento, sejam elas pessoais ou profissionais e, em vários momentos, esbarramos nos tais obstáculos. E, enquanto caem algumas lágrimas na sala de trabalho por tentar colocar para fora essas palavras, percebo que aquilo que eu evitava ao máximo sentir fez o favor de bater na porta. E da forma mais inesperada possível. Pois é, eu me apaixonei. De novo.

Por muito tempo, ouvi a história de que esses são os amores que ficam, aqueles que são capazes de te marcar e, de alguma forma, te transformar. Posso dizer que eu sou uma pessoa sortuda porque todo mundo que passou de alguma forma pela minha vida foi capaz de me fazer aprender e me tornar uma pessoa melhor. E eu já errei demais. Fiz coisas das quais eu me arrependo até hoje e que, por mais que eu tenha vontade, nunca serão consertadas. Entre idas e vindas, cada pessoa que passou por essa confusa e absurda vida que levo deixou um pedaço e ajudou na construção daquilo que eu sou hoje.

Há exatos cinco meses, essa pessoa pela qual me apaixonei apareceu na minha vida da forma mais inesperada possível. Graças ao City And Colour e a uma viagem louca para o Rio de Janeiro que parecia fadada ao fracasso, eu conheci alguém que, nesse tempo, foi capaz de me ensinar a cada dia, seja por tudo que ela me falou, pelas broncas que recebi, pela sua história de vida ou por ver alí, na minha frente, uma pessoa tão imperfeita quanto eu, que luta contra traumas parecidos com os meus, que busca aprender a lidar com o outro da mesma forma eu e que, mesmo quando tudo parece perdido, como parece estar agora, ainda é capaz de me fazer sentir mais completo, como a muito tempo não acontecia.

E é nessas horas que a vida é capaz de te socar de formas inesperadas. E, dependendo do seu grau de auto-conhecimento, você simplesmente não faz ideia de como se recuperar de cada um desses nocautes que acontecem do nada, como em uma das rápidas lutas da Ronda Rousey. Quem nunca se apaixonou, não é mesmo? Quem nunca viu a ficha cair e perceber que, alí, na sua frente, estava alguém especial a ponto de te fazer sentir algo que você queria simplesmente sair correndo ao sequer ouvir falar.

O problema de tudo é que isso me deixa com medo. Medo de perder, medo de me machucar, medo de me decepcionar ou decepcionar o outro… medo de ser feliz, talvez. E isso me bloqueia. Faz com que, por mais que eu tenha a vontade de sair gritando, ligar para a pessoa e disparar a falar tudo o que sinto, faz com que eu me limite apenas a continuar enxugando as minhas lágrimas. Na verdade, tudo que eu quero é ser capaz de encarnar a Ronda Rousey e nocautear todos os meus medos, me ver livre de todos esses escudos que carrego comigo e poder ser, depois de muito tempo, alguém de quem eu sinta orgulho. Essa redoma na qual me enfiei acaba de me impedindo de viver a vida como poderia e, nesse processo, eu vejo as pessoas passando. Pessoas incríveis como essa que motivou o texto e as lágrimas, me fez sentir algo que eu estava evitando sentir, que lutou durante cada dia desses cinco meses para que eu pudesse me abrir e tentar ser uma pessoa melhor, que me fez olhar para dentro de mim e ver muito do que está guardado e que eu preciso colocar para fora, como se fosse o anjo que eu realmente precisava nesse momento da vida.

A outra forma seria falar da minha vida através de músicas. Como trabalho em uma rádio popular, enquanto escrevo essas palavras, tocou uma música cuja letra acaba por resumir tudo o que aconteceu na minha vida nos últimos cinco meses. Na música, o cara relembra que se entregou a um amor no passado, acabou sofrendo e acreditando que dava para se virar sozinho, sem precisar de carinho de pessoas que podiam lhe machucar. Desacreditado dessa coisa de amor, achou melhor se fechar… até que alguém apareceu e lhe deu proteção, baixou a sua guarda e mexeu com a emoção… e ele percebeu que, por mais que queira e seja mais fácil, não dá para simplesmente fugir disso. E se colocou a disposição para correr o risco e viver tudo aquilo novamente. O pior é que isso talvez seja mesmo o certo. Apesar de não querer sofrer, foi uma das várias frases que ouvi atentamente dessa pessoa nas últimas 24 horas. Além dessa música que surgiu do nada, é complicado também não associar toda essa história ao City And Colour. É impossível não associar ela ao City And Colour, ainda que a gente sequer tenha ouvido uma música ao lado do outro ou visto juntos aquele show que fez com que a gente se cruzasse na estrada a 5 meses atrás. Talvez essa seja a trilha sonora dessa relação que eu ainda não sei se chegou ao fim. Como diria Dallas Green nesse momento, “se eu fosse um homem simples e pudesse fazer você entender, não teria razão para pensar duas vezes: Você seria o meu sol. Você seria a minha luz”.

Por tudo isso, o soco doeu e eu acusei o golpe. No entanto, o que dói mais é que ainda não consigo me abrir como deveria. No fim, a única forma que o meu bloqueio permite com que eu me expresse de forma mais ideal possível – fora utilizando-se da cerveja, é quando paro e começo a escrever. Sim, eu sei que isso pode parecer errado para você (e tenho certeza que ela vai pensar o mesmo caso venha a ler tudo isso), mas hoje é a forma que me sinto a vontade para colocar tudo para fora.

No fim, a sensação é de que a vida nem sempre é justa ou perfeita com aquilo que sentimos.

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E, se um dia você ler isso, saiba que tudo o que saiu dessa cabeça perturbada e insana foi com a intenção mais pura e verdadeira do mundo. Obrigado pelos peixes, pelos sorrisos e por ter se entregado. A casa continua aberta e, pode ter certeza, estarei aqui com uma boa cerveja e uma caneca vermelha na mão, com o mesmo olhar encantado e embasbacado que se tornou parte de mim.

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About Author

Publicitário com raízes no jornalismo. Apaixonado por música, viciado em redes sociais e cerveja. Vive dividido entre 524541 projetos e, por isso, dorme só quando dá.

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