100 melhores álbuns (que eu ouvi) em 2015

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Quando a gente começa a brincar com listas de fim de ano, a gente acaba concordando (ou não) do que é publicado no momento em que elas são disponibilizadas.

Olhando para o #Listão2015 do Audiograma, percebi que seria legal dar continuidade a uma ideia pessoal que surgiu em 2009 e voltei a colocar em prática no ano passado, que é divulgar uma lista pessoal com os melhores discos lançados no ano corrente. Repetindo a dose, separei 100 discos que eu ouvi em 2015 em um post.

Ouvi muita coisa durante o ano, mas confesso que ordenar os 100 álbuns foi complicado. Mudei a ordem das coisas milhares de vezes e, provavelmente, mudaria outras mil caso não publicasse a lista por agora. Se a memória (também conhecida como bloco de notas) não falha, foram mais de 160 álbuns ouvidos e muitos deixados de lado. Por exemplo, não ouvi até hoje os novos discos do Silva, da Ellie Goulding, do Keith Richards (ouvi faixas isoladas), da Bjork ou do Tame Impala (por não ter muita paciência com a banda), muito menos dos queridos Twenty One Pilots e The Weeknd.

Abaixo, estão os 100 álbuns com uma breve descrição dos 40 primeiros e player para você ouvir e dizer se concorda comigo ou não, fechado?

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[column size=”1/2″]100. Alaska – Onda
99. Sufjan Stevens – Carrie & Lowell
98. The Vaccines – English Graffiti
97. Carl Barât and the Jackals – Let It Reign
96. Bidê ou Balde – Gilgongo! Ou, a última transmissão da Rádio Ducher
95. Matt and Kim – New Glow
94. Dead Fish – Vitória
93. a-ha – Cast in Steel
92. Of Monsters and Men – Beneath the Skin
91. Black Alien – No Princípio Era o Verbo – Babylon by Gus, Vol. II
90. The Prodigy – The Day Is My Enemy
89. Esteban – Saca La Muerte de tu Vida
88. Scott Weiland and the Wildabouts – Blaster
87. Hot Chip – Why Make Sense?
86. Bryson Tiller – T R A P S O U L[/column]
[column size=”1/2″]85. Tremonti – Cauterize
84. Public Service Broadcasting – The Race for Space
83. Selah Sue – Reason
82. Miley Cyrus & Her Dead Petz – Miley Cyrus & Her Dead Petz
81. Jlin – Dark Energy
80. Jack Ü – Skrillex and Diplo Present Jack Ü
79. FFS – FFS
78. Death Cab for Cutie – Kintsugi
77. Coheed and Cambria – The Color Before the Sun
76. BNegão & Seletores de Frequência – Transmutação
75. The Subways – The Subways
74. The Fratellis – Eyes Wide, Tongue Tied
73. Stereophonics – Keep The Village Alive
72. Vanessa Carlton – Liberman
71. Rebecca Ferguson – Lady Sings The Blues[/column]
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[column size=”1/2″]70. Major Lazer – Peace Is the Mission

68. Sara Bareilles – What’s Inside: Songs from Waitress

66. Toro y Moi – What For?

64. Cidadão Instigado – Fortaleza

62. Ben Folds – So There

60. Chris Cornell – Higher Truth

58. Editors – In Dream

56. Laura Marling – Short Movie

54. Mark Ronson – Uptown Special

52. Daniel Johns – Talk

50. The Libertines – Anthems for Doomed Youth

48. Iron Maiden – The Book of Souls

46. Mac Demarco – Another One

44. Natalie Prass – Natalie Prass

42. Zella Day – Kicker
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[column size=”1/2″]69. Motörhead – Bad Magic

67. Boogarins – Manual

65. The Chemical Brothers – Born in the Echoes

63. Placebo – MTV Unplugged

61. Beirut – No No No

59. Jamie xx – In Colour

57. Blur – The Magic Whip

55. Courtney Barnett – Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit

53. Julia Holter – Have You in My Wilderness

51. Drake – If You’re Reading This It’s Too Late

49. William Fitzsimmons – Pittsburgh

47. NX Zero – Norte

45. Modest Mouse – Strangers to Ourselves

43. Chvrches – Every Open Eye

41. Erykah Badu – But You Caint Use My Phone
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40. Danko Jones – Fire Music

Fire Music é um trabalho que vai direto ao ponto e sem firulas. Tem energia, contagia, tem elementos de punk, hard rock e metal, cumprindo aquilo que se espera de um disco do Danko Jones. No entanto, o ponto alto continua sendo as letras, divertidas e ácidas como nos trabalhos anteriores. Se o Danko não consegue variar muito de um disco pro outro, a banda mostra um crescimento que vale a audição. É rock bem feito. Rock que muitas bandas gostariam de fazer e não conseguem. “Gonna Be A fight Tonight”, “Body Bags” e “Piranha” comprovam isso.

39. Marilyn Manson – The Pale Emperor

O disco não tem tantos elementos eletrônicos ou do ~metal industrial~ que consagrou a carreira de Brian Hugh Warner. Aliás, The Pale Emperor nos faz lembrar aquela boa e velha luta entre o criador e sua criatura. Após muito tempo, parece que o criador assumiu o controle de sua criatura, entregando um disco com uma atmosfera bem diferente dos anteriores. Transitando entre o hard rock e glam, o novo trabalho de Marilyn Manson parece mostrar aos fãs o que vem por aí. “The Mephistopheles of Los Angeles” e“Cupid Carries a Gun” são apenas duas das boas faixas do álbum.

38. Maglore – III

Apesar de gostar do Vamos Pra Rua, não era tão ligado assim no som dos baianos do Maglore. No entanto, III foi de cara um dos discos mais divertidos que ouvi este ano. O álbum já abre alegre com “O Sol Chegou”, mantém o suingue com “Se Você Fosse Minha” e entrega a que, pra mim, é a melhor faixa do disco: “Invejosa”. Tudo isso nas três primeiras faixas do disco, que tem onze no total. Um disco simples, muito bem feito e que mostra o quanto a Maglore vem crescendo.

37. Cage The Elephant – Tell Me I’m Pretty

O Cage The Elephant é uma daquelas bandas que nunca me conquistou de fato (isso também acontece com o Tame Impala) e peguei o quarto trabalho de estúdio dos caras com os dois pés atrás. No entanto, Tell Me I’m Pretty me surpreendeu. É, de longe, o melhor trabalho da banda e capaz de se transformar em trilha sonora para vários momento de sua vida. Ainda bem que não resisti e dei play no disco. Sorte do Cage, azar do Tame Impala.

36. Dover – Complications

Dover andou por caminhos bem aleatórios nos últimos anos. No entanto, resolveu retomar as origens e voltar ao caminho que tornou a banda conhecida, o rock n’ roll. Lançado em fevereiro,Complications é um disco muito curto. São pouco mais de 30 minutos e 10 faixas que remetem aos velhos (e bons) tempos do quarteto espanhol, comando pelas irmãs Amparo Llanos e Cristina Llanos. Os destaques, pra mim, ficam por conta das faixas “Too Late”, “Crash” e “Sisters Of Mercy”.

35. New Order – Music Complete

Lançado em setembro, Music Complete é um daqueles discos que chegava cheio de desconfiança e se tornou uma grata surpresa. É o primeiro trabalho do New Order com um novo baixista e também o primeiro em uma nova gravadora, mas isso realmente não influenciou em nada no produto final. Music Complete é um disco feito para os fãs da fase oitentista do New Order e, talvez por isso, é encarado por muitos como o melhor trabalho desde o Technique (1989). A mescla entre indie rock e eletrônica é bem feita e os destaques ficam por conta de “Restless”, “People On The High Line” e “Superheated”, que tem participação de Brandon FlowersPeter Hook? Não fez falta.

34. Adele – 25

É impossível não gostar de 25Adele navega por novas referências e entrega faixas maravilhosas como“Send My Love (To Your New Lover)” e “Love in the Dark”. Apesar da formula ser a mesma, a fonte mudou. O disco não é tão inspirado nos anos 60 como os trabalhos anteriores e, de todas as faixas do disco,“Million Years Ago” é a que mais se aproxima do que era feito antes. Hoje, Adele tem como referência um R&B mesclado com pop e isso faz a cantora sair de uma possível zona de conforto, deixando claro que a cantora não tem medo de errar. E ver isso no mainstream hoje em dia é muito bom. (eu queria colocar o disco aqui, mas né? valeu aê Adele por não liberar).

33. Sleater-Kinney – No Cities to Love

Dez anos separam o álbum anterior do Sleater-Kinney de seu disco mais recente. Nesse tempo, o trio formado pelas garotas Corin Tucker, Carrie Brownstein e Janet Weiss explorou novos caminhos, novos sons e, depois das experiências individuais, era a hora de retomar o trio. “Price Tag” abre o excelente No Cities To Love e, ao longo de suas dez faixas, percebemos o quanto esse é um disco pessoal e direto. Ele fala do que é urbano e cotidiano, mas não deixa de ser acessível. Entre distorções e a bela e forte voz de Corin, faixas como “Surface Envy”, “A New Wave”, “No Anthems” e “Hey Darling” nos mostram que o Sleater-Kinney voltou em grande estilo. E isso é maravilhoso.

32. Gary Clark, Jr. – The Story Of Sonny Boy Slim

The Story Of Sonny Boy Slim foi lançado por Gary Clark Jr. em setembro desse ano e, com 13 faixas, busca fazer um resgate da vida de Gary. Sonny Boy Slim é o apelido que o músico tem desde que nasceu e é um nome apropriado para um disco que busca conectar o Gary de hoje com o de anos atrás. Como um nome importante do blues nos dias de hoje, Gary transita entre o clássico que era feito nos anos 50 e acrescenta a ele um frescor que ele sempre buscou dar ao seu som. A essência está presente em faixas como “The Healing”, “Grinder”, “Hold On” ou “Down To Ride” e, ainda que fique a sensação de que o músico “economizou nas guitarras”, o resultado é bem interessante e vale a audição. Até porque, é Gary Clark Jr., né?

31. Lenine – Carbono

Engenheiro Químico de formação, Lenine usou isso para dar nome ao seu novo álbum de estúdio,Carbono. Lançado em maio, o disco marca o retorno do músico à sua velha forma, transitando pelo rock e pelo experimental, com pitadas de tropicália e manguebit. Não é a toa que uma das participações do disco é de ninguém menos que a Nação Zumbi, que aparecem em “Cupim de Ferro”. Faixas como “Castanho”, “O Impossível Vem Pra Ficar”, “A Causa e o Pó” e “Quede Água” mostram a mistura presente nas 11 faixas de Carbono e comprovam que, da mesma forma que o elemento químico, Lenine consegue dialogar com estilos sonoros variados e, assim, entrega um dos melhores discos de sua carreira.

30. Lianne La Havas – Blood

Após o excelente disco de estreia, Is Your Love Big Enough? (2012), a grande questão que envolvia Lianne La Havas era se aquela qualidade teria continuidade. Três anos depois, com contrato com selo ligado a Warner e parceria com nomes como Prince, Alt-J e Aqualung durante o tempo de espera prepararam Lianne para o segundo disco. Blood dá a ela o status merecido e mostra que a cantora tem muito mais a oferecer. O soul (ou neo-soul, como queiram) ganhou mais um nome de respeito.

29. Snoop Dogg – Bush

Talvez seja cedo para dizer, mas lá vai: SNOOP DOGG ESTÁ DE VOLTA! Sim, é isso mesmo. Depois de um período meio aleatório da vida (para não dizer outra coisa), parece que Snoop reencontrou o caminho comBUSH. Lançado em maio, o disco não tem uma música que seja marcante como “Beautiful”, mas funciona com maestria no chamado conjunto da obra. Músicas como “Peaches N’ Cream”, “This City”, “R U A Freak”“So Many Pros” são carimbos que comprovam que a parceria entre Snoop e Pharrell Williams ainda pode render frutos muito bons.

28. Florence + The Machine – How Big, How Blue, How Beautiful

O tempo e a certa megalomania que tomou conta do Florence + The Machine fez com que eu não criasse expectativa em torno do How Big, How Blue, How Beautiful, terceiro álbum de estúdio do projeto capitaneado por Florence Welch. Por não esperar nada, foi fácil me surpreender com essa vibe mais centrada e sem a excentricidade presente em Cerimonials (2011). O trabalho ainda gira em torno de Florence, mas a construção do disco ganhou um foco mais realista ou “mais banda”, se assim podemos dizer. O disco soa mais divertido de se ouvir, ainda que as letras retratem várias das perturbações de Welch. Ao que tudo indica, a fase “conto de fadas megalomaníaco” ficou para trás. O que é muito bom!

27. Widespread Panic – Street Dogs

O primeiro álbum de inéditas em cinco anos não poderia ter sido produzido de uma forma melhor. Street Dogs é o resultado de uma reunião em estúdio e uma captação ao vivo de todas as 10 faixas do disco, o décimo segundo do Widespread Panic. E toda a essência ao vivo da banda está lá: A pegada jazz, os instrumentais estendidos, a improvisação e músicas maravilhosas como “Sell Sell”, “Angels Don’t Sing The Blues”, “Steven’s Cat” e “Tail Dragger”. Já deu o play? Tá esperando o que?

26. Foals – What Went Down

What Went Down mantém o conceito básico de renovação que é adotado pelo Foals ao longo de sua carreira. O quarto trabalho de estúdio deixa claro que a banda segue em uma eterna busca por novos elementos e, com isso, acaba se distanciando um pouco daquilo que foi feito lá em 2008, quando lançaram o Antidotes. Para alguns, isso seria um problema. Para o Foals, resulta em um trabalho que evidencia a sua melhor forma, graças a músicas como “Mountains At My Gates”, “Snake Oil”, “A Knife in the Ocean” ou “Night Swimmers”. Vale (e muito) o play.

25. of Montreal – Aureate Gloom

Kevin Barnes transformou o 13º álbum do of Montreal em uma longo conto sobre sua tragédia pessoal. Após 11 anos de convívio, o músico se separou de sua mulher e isso acabou carregando todo o trabalho da banda. Isso seria motivo suficiente para alimentar ainda mais as viagens psicodélicas de Barnes mas, ao que parece, elas ficaram restritas ao clipes ligados ao álbum. Aureate Gloom é, provavelmente, o trabalho mais sincero do grupo até hoje, ainda que continue explorando um processo criativo que começou lá no Skeletal Lamping (2008). Eu diria que, pela primeira vez, é possível ver quem é o Kevin Barnes além de todo o lado alucinógeno presente em sua mente.

24. Scalene – Éter

O segundo álbum da Scalene saiu no meio de um turbilhão de coisas. A banda estava exposta na TV, se apresentou em dois festivais de grande porte no Brasil e nos EUA e ainda carregava a “missão” de fazer algo tão bom como o seu antecessor, Real/Surreal (2013). O disco filtra mais as influências e se mostra mais centrado e focado, ainda que mantenha a mesma linha do disco anterior. Se destacando pelas letras e por sua melodia, a Scalene tem material que a faz capaz de se consolidar no cenário musical nacional e faixas como “Sublimação”, “O Peso da Pena”, “Legado” e “Histeria” conseguem comprovar isso.

23. Tyler, The Creator – Cherry Bomb

Tyler é um daqueles caras de quem você não consegue esperar nada e foi com os dois pés atrás que peguei o Cherry Bomb para ouvir. Lançado em maio, é resultado de mais um delírio do rapper que, dessa vez, está menos ácido. Toda aquela veia homofóbica e machista que era tão forte nos álbuns anteriores deu lugar a um Tyler mais interessante. Cherry Bomb é um álbum carregado de influências e que se destaca nos momentos em que a veia jazz/neo-soul de seu mentor se destaca. Impossível não gostar de“Find Your Wings”, “Smuckers” e “Okaca CA”, por exemplo. A sinceridade de Tyler ainda está lá, as boas referências também. Talvez a fase do choque tenha passado, né?

22. Title Fight – Hyperview

Se pudesse representar o novo álbum do Title Fight com apenas uma palavra, diria amadurecimento. Esse é o principal elemento presente em Hyperview, lançado no início desse ano. Os elementos do pop punk característico da banda ainda estão lá, mas eles ganharam um frescor e uma pegada mais atual e músicas como “Liar’s Love”, “Mrahc” e “Dizzy” deixam isso ainda mais evidente. A banda olhou o seu passado para conseguir seguir adiante e o resultado disso foi extremamente positivo.

21. Brandon Flowers – The Desired Effect

Brandon Flowers conseguiu fazer sozinho o que todo o fã do The Killers gostaria de ouvir novamente: Um bom álbum. The Desired Effect é o segundo trabalho solo do vocalista da banda e deixa claro que a fórmula na qual Brandon acredita ainda pode dar resultado. Enquanto a sua banda não conseguiu causar o efeito desejado com Battle Born (2012), Flowers conseguiu absorver bem o que fez de bom emFlamingo e acrescentou todo o synthpop que ele tanto ama. “Can’t Deny My Love”, “Still Want You”, “Lonely Town”, “I Can Change” e “Diggin’ Up The Heart” comprovam que ele ainda sabe o que faz.

20. Belle and Sebastian – Girls in Peacetime Want to Dance

Se tem uma coisa que Stuart Murdoch sabe fazer nessa vida é contar histórias e o novo álbum de estúdio do Belle and SebastianGirls In Peacetime Want to Dance, é mais um exemplo disso. A essência da banda continua alí no DNA de cada uma das 12 faixas do disco, resultando em um disco que todos os fãs esperavam (e amaram). Todo o trabalho em torno de faixas como “Nobody’s Empire”, “Ever Had a Little Faith” e “Allie” fazem do disco, lançado em janeiro, mais um na lista de bons trabalhos da banda de Glasgow.

19. Faith No More – Sol Invictus

Sol Invictus é o primeiro álbum de inéditas do Faith No More desde a retomada de suas atividades, lá em 2009. Apesar da qualidade já conhecida, acredito que o tempo de espera entre o retorno e o novo álbum tenha sido uma das decisões mais acertadas que o grupo capitaneado por Mike Patton poderia ter tomado. Com dez faixas, temos um Faith No More que ainda é capaz de se impor no cenário musical, mostrando a qualidade de sempre aliada a experiência adquirida após dezoito anos de espera pelo sucessor de Album Of The Year. Ah, é válido lembrar que, a cada audição, “Superhero” e “Motherfucker”ficam ainda mais sensacionais.

18. The Hollywood Vampires – Hollywood Vampires

Alice Cooper, Johnny Depp e Joe Perry sentaram em uma sala, se entreolharam e pensaram: “Por que não?”. Deve ter sido assim que o Hollywood Vampires (que é um projeto antigo de Alice) ganhou uma versão 2015 e juntou nomes como Perry Farrell, Dave Grohl, Slash, Brian Johnson, Robby Krieger, Paul McCartney, Zak Starkey e Joe Wash, além de Duff McKagan e Matt Sorum, que acompanham a banda em turnê. Tudo isso não poderia resultar em algo ruim, ainda que nada de novo estivesse sendo feito. O objetivo era homenagear o rock e os seus clássicos e ainda soltar coisas inéditas (e boas) como“Raise The Dead”. Vale pela história, vale pela homenagem, vale pelo bom e velho rock n’ roll.

17. Ghost – Meliora

O Ghost é um daqueles casos de banda que me ganhou com o tempo e, provavelmente, a chegada dePapa Emeritus III ao comando dos Nameless Ghouls foi o fator determinante para que eu desse a atenção devida (e merecida) a banda. Músicas como “From the Pinnacle to the Pit”, “Cirice” (a melhor delas) e “Mummy Dust” mostram a evolução da banda. Isso sem contar “Majesty”, que mostra o quanto a banda Meliora a cada álbum (perdão, não resisti a essa piada ridícula).

16. Noel Gallagher’s High Flying Birds – Chasing Yesterday

É tão bom ver (e ouvir) o Noel cada vez mais a vontade em sua carreira solo. É melhor ainda perceber que o músico não deixa de crescer e enriquecer o seu trabalho com o passar dos anos. Chasing Yesterday é aquele álbum que você consegue imaginar um estádio lotado cantando cada uma das músicas. No entanto, ele também funciona trancado no quarto, como trilha sonora de uma viagem… ele é o retrato de seu criador, que resolveu entregar um disco mais cru, tomar decisões acertadas e se consolidar ao lado do High Flying Birds. Sorte a nossa que ganha de presente coisas como “Riverman”, “Ballad of the Mighty I” e“In the Heat of the Moment”.

15. Wilco – Star Wars

Jeff Tweedy e companhia tomaram um pouco de água em alguma fonte da juventude antes de se reunirem em estúdio para trabalhar no nono álbum de estúdio do Wilco. O resultado disso foi divulgado de surpresa em julho com o nome de Star Wars e mostra uma banda em busca de novos elementos, arranjos e sonoridade. Claro que os elementos apresentados em discos dos anos 2000 estão lá e músicas como “You Satellite” e “Magnetized” deixam isso mais evidente, mas talvez Star Wars seja mais um ponto de partida do Wilco no cenário musical, da mesma forma que a famosa franquia no cinema.

14. Frank Turner – Positive Songs For Negative People

Frank Turner coloca na rua mais um disco onde o foco são as desilusões amorosas. Considerado por muitos como uma continuação de Tape Deck Heart (2013), Positive Songs For Negative People é um disco explosivo e carregado de uma sinceridade impressionante. Acompanhado do Sleeping Souls, Turner é um daqueles caras capazes de arrepiar e fazer com que você se apaixone por músicas como“Josephine”, “Get Better” ou “Glorious You”.

13. Ryan Adams – 1989

Sabe aquele que foi eleito como um dos melhores discos de 2014? Então, Ryan Adams resolveu desconstruir e refazer o 1989, disco da Taylor Swift. Adams deu a sua cara a músicas já consagradas como “Shake It Off” e “Blank Space” e o resultado é bem positivo. Talvez não agrade quem gosta do pop feito pela Swift, mas é capaz de agradar a uma parcela que, até então, não tinha sido atingida pelas letras do disco. Foi uma das boas surpresas do ano.

12. Johnny Hooker – Eu Vou Fazer Uma Macumba para te Amarrar, Maldito

É de Recife que vem um dos discos mais legais do ano. Johnny Hooker resolveu contar histórias de paixão, desilusão e desejo em seu disco de estreia, que ganhou o nome de Eu Vou Fazer uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!. Com esse nome, nada mais natural do que Hooker falar de amor de uma forma passional ao longo das 11 faixas, com o apoio de ritmos como o brega, a gafieira, o frevo e o axé. Tudo junto e misturado em faixas como “Alma Sebosa”, “Volta”, “Desbunde Geral”, “Boato”, “Amor Marginal” e a que dá nome ao trabalho. É autêntico e até mesmo arrojado. E isso merece espaço.

11. City And Colour – If I Should Go Before You

O novo álbum do City and Colour entra fácil para a lista de discos bons de se ouvir em 2015 e, para a minha surpresa, acabou sendo o mais votado entre a equipe do Audiograma. Dallas Green tentou dar um passo maior que a perna em seu quinto álbum, ganhando uma pegada mais urbana, experimental e perdendo um pouco da pegada folk dos trabalhos anteriores. O resultado foi extremamente positivo e músicas como “Wasted Love”, “Runaway”, “Lover Come Back”, “Northern Blues” e “Blood” fazem de If I Should Go Before You um dos grandes discos do ano. E o melhor do City And Colour até hoje. Obrigado, Dallas.

10. Elza Soares – A Mulher do Fim do Mundo

Dá para dizer que Elza Soares fez uma retrospectiva de seus mais de 60 anos de carreira de uma forma diferente: Com faixas inéditas e um disco maravilhoso. A Mulher do Fim do Mundo foi lançado em outubro e conta com elementos de diversas fases da cantora. Com um time de respeito por trás, Elza fala da vida, de conflitos, de sexo, tristeza, libertação, violência e faz tudo isso de uma forma natural, como se cada letra fosse uma experiência pessoal da incansável cantora. Com uma vitalidade e versatilidade, Elza vai do rap ao rock, sem deixar o seu DNA sambista de lado, fazendo de músicas como “Maria de Vila Matilde”, “Luz Vermelha”, “Pra Fuder”“Firmeza” e “Benedita” verdadeiros pontos altos da música brasileira em 2015. Na faixa que dá nome ao disco, Elza pede que a deixem cantar até o fim. Com um resultado como ele, não precisa nem pedir novamente.

09. Kurt Vile – b’lieve i’m goin down

Kurt Vile deixou para trás os tempos de War On Drugs e segue firme em sua carreira solo. E foi comB’lieve I’m Goin Down… que o músico me conquistou de vez. Com um folk 2.0 (ah, esses termos), Kurt nos brinda com músicas como “Pretty Pimpin”, “I’m an Outlaw”, “That’s Life, tho (almost hate to say)” e“Lost my Head there”, que é o ponto alto do álbum. É um disco interessante e capaz de embalar vários momentos tranquilos (ou nem tanto) do seu dia.

08. Father John Misty – I Love You, Honeybear

Joshua Tillman deixou o Fleet Foxes e partiu para uma carreira solo colocando em evidência o seu lado sedutor, cativante e, muitas vezes, sacana. Para isso, um alter-ego: Father John Misty. Com esse lado ainda mais aflorado, o músico lançou em fevereiro o seu segundo álbum, o excelente I Love You, Honeybear. Músicas como “Strange Encounter” e “Nothing Good Ever Happens at Goddam Thirsty Crow”são dignas de serem lembradas, assim como “I Went to the Store One Day” e “When You’re Smiling and Astride Me” (de longe, a melhor do disco). Duvido que você não se emocione… ou ache engraçado. Vai saber qual o seu momento, né?

07. Tulipa Ruiz – Dancê

Tulipa Ruiz resolveu colocar todo mundo para dançar com o seu novo álbum, Dancê. E conseguiu. Impossível não querer se levantar e arriscar alguns passos ao ouvir músicas como “Prumo”, “Proporcional”ou “Físico”. Da mesma forma que é impossível não querer cantar junto ao ouvir “Elixir” ou “Expirou”. É feito pra cantar. É feito pra dançar. Dancê é pra te tirar da zona de conforto e mexer o corpo. Coisa que, inclusive, vou fazer agora. Obrigado, Tulipa.

06. The Bohicas – The Making Of

Essa foi a minha grande descoberta em 2015. Com produção de Mark Rankin (Queens Of The Stone Age), Chris Hughes (Tears for Fears) e Oli Bayston (Toy), The Making Of é o debut dos britânicos doThe Bohicas e é um trabalho muito divertido de se ouvir. Tem energia, tem barulho, é vibrante e é totalmente capaz de grudar no seu ouvido já em sua primeira audição. Músicas como “Swarm”“To Die For”, “XXX”, “Where You At” e “Upside Down and Inside Out” podem te conquistar.

05. Emicida – Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa

Forte. Intenso. Ácido. Agressivo. Difícil encontrar um termo apenas para descrever o novo trabalho deEmicida. Em Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, o rapper versa forte sobre a vida na periferia, a falta de oportunidades para todos e a falta de recursos para a evolução. No entanto, os temas mais fortes do disco são o racismo e o preconceito. Emicida fala com propriedade sobre a luta, sobre o sistema e sobre aquilo que está enraizado na construção do ser humano. Forte. Intenso. Ácido. Agressivo. É Emicida colocando o dedo na ferida desde os primeiros versos de “Mãe”, passando por “8”, “Baiana” (com Caetano Veloso), “Boa Esperança”, “Trabalhadores do Brasil” e, principalmente,“Mandume”, que é a melhor faixa do disco. O play é obrigatório.

04. The Dead Weather – Dodge and Burn

Em setembro, o The Dead Weather soltou o seu terceiro álbum de estúdio, Dodge and Burn. O disco é carregado de boas referências e passeia por diversos estilos e influências carregadas pelo quarteto formado por Jack White, Alison Mosshart (The Kills), Dean Fertita (Queens of The Stone Age) e Jack Lawrence (The Raconteurs). É o trabalho mais acertado da banda até o momento e músicas como“I Fell Love (Every Million Miles)” ou “Cop and Go” provam isso. No entanto, o grande destaque fica por conta de “Impossible Winner”, uma das músicas mais bonitas que eu ouvi em 2015.

03. Eagles of Death Metal – Zipper Down

O bom e velho rock and roll californiano do Eagles of Death Metal está de volta com Zipper Down. Lançado oficialmente em outubro, o quarto trabalho do projeto capitaneado por Josh Homme e Jesse Hughes tem barulho, rockabilly, soa alternativo quando precisa e ainda tem as sensacionais “Got The Power”, “Silverlake (K.S.O.F.M)” e “Complexity”. É um disco rápido e gostoso de se ouvir. É pra se divertir na companhia dos amigos e até arriscar alguns passos de dança. E ainda tem uma versão sensacional de“Save A Prayer” do Duran Duran. Simplesmente, ouça.

02. Alabama Shakes – Sound & Color

Enquanto Boys & Girls (2012) era pautado pelo imediatismo, por algo quase impositivo e enérgico, Sound & Color foge totalmente disso. Brittany Howard, Zac Cockrell, Heath Fogg e Steve Johnsonnavegam entre diferentes estilos. Tem Blues, Soul, Indie, Country, Gospel, Garage Rock… tem referências claras as décadas de 1950, 1960 e 1970… e tem a voz perfeitamente incrível da Brittany, capaz de fazer chorar em faixas como “This Feeling”, empolgar em “Don’t Wanna Fight” e, se ainda tiver ficado dúvida, conquistar de vez em “Over My Head”. E ainda tem “Gemini”

01. Kendrick Lamar – To Pimp a Butterfly

A grande dúvida de todos era: Como Kendrick Lamar lidaria com o primeiro álbum depois do sucesso de Good Kid, M.A.A.D City, lançado em 2012? Pois bem, em março Kendrick entregou To Pimp a Butterfly e, nele, simplesmente dá um tapa na cara de uma sociedade que trabalha em função do dinheiro em torno do entretenimento, levando isso a fundo com a tentativa de exploração da cultura negra como entretenimento. Tá lá a apropriação cultural, a luta de classes e todas as lutas com as quais Kendrick e todos os negros presentes no cenário musical (e no entretenimento como um todo) lutam todos os dias. Destaque para as faixas “u”, “i”, “Institutionalized” e “King Kunta”.

As resenhas dos 40 discos foram extraídas do #Listão2015, publicado pelo Audiograma.

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Publicitário com raízes no jornalismo. Apaixonado por música, viciado em redes sociais e cerveja. Vive dividido entre 524541 projetos e, por isso, dorme só quando dá.

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