#ThankYouKobe

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37 anos. 20 deles dedicados exclusivamente ao Los Angeles Lakers.

Foram 1346 jogos em temporada regular, outros 220 nos playoffs e mais 17 presenças no All-Star Game. É o jogador que mais pontos fez pelos Lakers e nada menos que o terceiro maior pontuador da história da NBA.

Em vinte anos, conquistou 5 títulos, foi medalha de ouro das Olimpíadas por duas vezes e eleito MVP por nada menos que 7 vezes, sendo 4 no All-Star Game, 2 nas finais e 1 vez na temporada regular.

Podemos resumir a carreira do #BlackMamba em números e conquistas, mas é muito mais interessante falar do legado. O legado de Kobe Bryant para o basquete e para o esporte é sensacional. O legado do Kobe para que eu gostasse de basquete também. Comecei a acompanhar a NBA durante a temporada 01/02. Naquela temporada, o Lakers seguia firme rumo ao tri-campeonato e lá estava ele com sua média de pontos entre 26 e 30. Era tão legal ver os Lakers jogando que, para um leigo como eu era na época, era difícil não se apaixonar pelo esporte e por aquele time. E ainda tinha a torcida, sempre sensacional.

Depois desse título e do tri-campeonato, veio o tempo de seca. Claro que a culpa era minha. Eu era o pé-frio que acabou com a vibe positiva de vitórias do Lakers, que chegou a ficar fora dos playoffs em 2005. Aliás, meu 2005 esportivo foi para esquecer e, se você sabe da minha ligação com futebol, vai entender bem o motivo. Em 2008, voltou as finais contra o Boston Celtics e levou… levou um 4×2 nas costas e viu o título escapar pelos dedos. Culpa daquele jogo no dia dos namorados, onde perdeu em casa por 97×91. Culpa dos Celtics que tinham Kevin Garnett, Ray Allen, Rajor Rondo e Paul Pierce voando. Culpa da freguesia nata pra equipe de Boston. Culpa do torcedor pé-frio.

Mal sabia eu que teria dois anos para comemorar. Em 2009, amassando o Orlando Magic com 4×1 nas finais. Em 2010, como em uma final de Libertadores com gol marcado aos 43 do segundo tempo, prorrogação e pênaltis, uma vitória por 4×3 em cima daquele Boston Celtics. Naquela época, eu não fazia ideia ainda do que era se emocionar tanto com um título esportivo (fui descobrir isso três anos depois), mas fazia ideia de que estava vendo a história ser escrita. Era o 16º título da franquia, a segunda maior vencedora da história da NBA até hoje (adivinha a primeira?). Mais do que isso, aquela mistura entre amarelo e roxo fascinava. Kobe Bryant fascinava. Se eu passei a curtir basquete e torcer pelos Lakers, foi por causa desse cara.

Os anos passaram, a qualidade do Lakers caiu. A dependência de Kobe aumentou e, com seguidas lesões, era difícil prever um futuro longo. Com tudo isso, era natural que Kobe pensasse na aposentadoria. Apesar da tristeza, era quase que unanimidade entre a imprensa que era a hora de parar. Para se despedir, uma temporada sem lesões, 66 jogos, média de 28 minutos e 17 por partida. Pouco se pensar em tudo que ele fez, muito se pensar que era a temporada de despedida e que o time do Lakers está longe de dar um suporte ao astro que envergava a camisa 24. Mas faltava um jogo, faltava uma exibição de gala. E ela veio no apagar das luzes, na sua casa, com 20 mil dos seus familiares nas arquibancadas.

Em 48 minutos, foram 60 pontos. Teve virada faltando 31s pro fim. Teve passes mágicos, cestas de três pontos, toco no adversário… teve celebração de astros da NBA atual, parceiros de clube, jogadores que tiveram a honra de dividir a bola com ele, torcedores ilustres e outros nomes importantes da cidade de Los Angeles. Não foi a melhor temporada, mas foi uma grande partida. O time não ajudou em boa parte dos jogos, mas entendeu o espírito e se doou no fim. Emocionante. Histórico. Apoteótico!

Hoje, dia 14 de abril de 2016, Kobe deixa de ser um astro na quadra e a esperança de vitórias. Passa a ser um torcedor como nós e, com toda certeza, se sentará ao lado do Flea, Jack Nicholson, Snoop Dogg, Beckham, Kanye West, Jay Z, Beyoncé e vários outros torcedores ilustres para somar a sua voz com a de todos os que gritaram por ele durante vinte anos.

Sabe quando dizem “eu não vi Pelé, mas vi Romário”? Posso dizer que não vi Jordan, mas vi Kobe. E sou muito grato por isso.

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Publicitário com raízes no jornalismo. Apaixonado por música, viciado em redes sociais e cerveja. Vive dividido entre 524541 projetos e, por isso, dorme só quando dá.

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