Eu, eu mesmo e meus devaneios! http://www.johnpereira.com.br/devaneios Só mais um site WordPress Wed, 03 Aug 2016 01:53:04 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=3.5.1 #PoetizandoAsLetras 09 http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2016/poetizandoasletras-09/ http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2016/poetizandoasletras-09/#comments Wed, 03 Aug 2016 01:53:04 +0000 John Pereira http://www.johnpereira.com.br/devaneios/?p=9928 Read More]]> Álbum: Supercombo – Rogério (Trechos de várias músicas)

Eu só sei que cheguei no fundo do poço. Dei aquele tibum. Me banhei nessa água deliciosa feita por quem só chora. Juro que eu tentei e tento fazer de tudo pra ficar relax, mas o karma sempre vem para me esfaquear. Não dá!

Eu sou jovem. Com um corpinho de ancião. Eu sou jovem. Mentalidade de vovô. Eu sou jovem… e nunca sei aproveitar o que eu tenho em mãos. Por isso deveria ficar sozinho. Eu até tentei. Um dia eu me sequestrei, fui meu cativeiro. Percebi que a loucura desse mundo não é pra mim. E nem isso adiantou. Eu sou um belo desastre. Aquele que acabou com os dinossauros um tempo atrás.

O tempo passa e eu também queria ser imaginário. Sumir quando estiver dando tudo errado. Sem pesar na consciência. Imaginário como você se tornou. É sem cabimento, não sai da cabeça: Como é que o embrulho é melhor que o presente? Felizmente tudo tem um limite e o meu chegou. O mundo não se acabou, mas a paciência sim. No fim das contas, vejo que ninguém liga se meu timer zerou ou se tá quase lá. Caminho rumo a escuridão e, pra ser sincero, nem ligo. A escuridão deve ser melhor que isso. Só solta minha mão e deixa eu abraçar o abismo.

Lá de baixo eu vou tentar fazer algo. Eu juro. Eu quero subir e já chegar chegando na festa dos que já acham que vão subir pro céu. Só pra ver geral caindo de tobogã.

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#ThankYouKobe http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2016/thankyoukobe/ http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2016/thankyoukobe/#comments Thu, 14 Apr 2016 19:09:13 +0000 John Pereira http://www.johnpereira.com.br/devaneios/?p=9878 Read More]]> 37 anos. 20 deles dedicados exclusivamente ao Los Angeles Lakers.

Foram 1346 jogos em temporada regular, outros 220 nos playoffs e mais 17 presenças no All-Star Game. É o jogador que mais pontos fez pelos Lakers e nada menos que o terceiro maior pontuador da história da NBA.

Em vinte anos, conquistou 5 títulos, foi medalha de ouro das Olimpíadas por duas vezes e eleito MVP por nada menos que 7 vezes, sendo 4 no All-Star Game, 2 nas finais e 1 vez na temporada regular.

Podemos resumir a carreira do #BlackMamba em números e conquistas, mas é muito mais interessante falar do legado. O legado de Kobe Bryant para o basquete e para o esporte é sensacional. O legado do Kobe para que eu gostasse de basquete também. Comecei a acompanhar a NBA durante a temporada 01/02. Naquela temporada, o Lakers seguia firme rumo ao tri-campeonato e lá estava ele com sua média de pontos entre 26 e 30. Era tão legal ver os Lakers jogando que, para um leigo como eu era na época, era difícil não se apaixonar pelo esporte e por aquele time. E ainda tinha a torcida, sempre sensacional.

Depois desse título e do tri-campeonato, veio o tempo de seca. Claro que a culpa era minha. Eu era o pé-frio que acabou com a vibe positiva de vitórias do Lakers, que chegou a ficar fora dos playoffs em 2005. Aliás, meu 2005 esportivo foi para esquecer e, se você sabe da minha ligação com futebol, vai entender bem o motivo. Em 2008, voltou as finais contra o Boston Celtics e levou… levou um 4×2 nas costas e viu o título escapar pelos dedos. Culpa daquele jogo no dia dos namorados, onde perdeu em casa por 97×91. Culpa dos Celtics que tinham Kevin Garnett, Ray Allen, Rajor Rondo e Paul Pierce voando. Culpa da freguesia nata pra equipe de Boston. Culpa do torcedor pé-frio.

Mal sabia eu que teria dois anos para comemorar. Em 2009, amassando o Orlando Magic com 4×1 nas finais. Em 2010, como em uma final de Libertadores com gol marcado aos 43 do segundo tempo, prorrogação e pênaltis, uma vitória por 4×3 em cima daquele Boston Celtics. Naquela época, eu não fazia ideia ainda do que era se emocionar tanto com um título esportivo (fui descobrir isso três anos depois), mas fazia ideia de que estava vendo a história ser escrita. Era o 16º título da franquia, a segunda maior vencedora da história da NBA até hoje (adivinha a primeira?). Mais do que isso, aquela mistura entre amarelo e roxo fascinava. Kobe Bryant fascinava. Se eu passei a curtir basquete e torcer pelos Lakers, foi por causa desse cara.

Os anos passaram, a qualidade do Lakers caiu. A dependência de Kobe aumentou e, com seguidas lesões, era difícil prever um futuro longo. Com tudo isso, era natural que Kobe pensasse na aposentadoria. Apesar da tristeza, era quase que unanimidade entre a imprensa que era a hora de parar. Para se despedir, uma temporada sem lesões, 66 jogos, média de 28 minutos e 17 por partida. Pouco se pensar em tudo que ele fez, muito se pensar que era a temporada de despedida e que o time do Lakers está longe de dar um suporte ao astro que envergava a camisa 24. Mas faltava um jogo, faltava uma exibição de gala. E ela veio no apagar das luzes, na sua casa, com 20 mil dos seus familiares nas arquibancadas.

Em 48 minutos, foram 60 pontos. Teve virada faltando 31s pro fim. Teve passes mágicos, cestas de três pontos, toco no adversário… teve celebração de astros da NBA atual, parceiros de clube, jogadores que tiveram a honra de dividir a bola com ele, torcedores ilustres e outros nomes importantes da cidade de Los Angeles. Não foi a melhor temporada, mas foi uma grande partida. O time não ajudou em boa parte dos jogos, mas entendeu o espírito e se doou no fim. Emocionante. Histórico. Apoteótico!

Hoje, dia 14 de abril de 2016, Kobe deixa de ser um astro na quadra e a esperança de vitórias. Passa a ser um torcedor como nós e, com toda certeza, se sentará ao lado do Flea, Jack Nicholson, Snoop Dogg, Beckham, Kanye West, Jay Z, Beyoncé e vários outros torcedores ilustres para somar a sua voz com a de todos os que gritaram por ele durante vinte anos.

Sabe quando dizem “eu não vi Pelé, mas vi Romário”? Posso dizer que não vi Jordan, mas vi Kobe. E sou muito grato por isso.

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#PoetizandoAsLetras 08 http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2016/poetizandoasletras-08/ http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2016/poetizandoasletras-08/#comments Fri, 15 Jan 2016 04:36:04 +0000 John Pereira http://www.johnpereira.com.br/devaneios/?p=9911 Read More]]> Música: The Calling – Adrienne

Clique aqui para assistir o vídeo inserido.

Moça, eu estive pensando em você e em todas as coisas loucas que você me fez passar nessa vida. Agora estou aqui, devolvendo tudo para você. Eu sou tão louco que ainda me pergunto se você pensava em mim quando o beijava… ou se sentia o meu gosto enquanto o lambia. E sabe por que? É que enquanto você era feliz fazendo isso, eu estava aqui te enchendo (e me enchendo também) de confiança e promessas.

Agora as coisas mudaram moça, o tempo passou e o que eu preciso é de uma doce vingança, daquelas que vai me fazer recuperar tudo o que perdi graças a você. Afinal, eu te dei tudo que eu tinha para dar e, no fim, nunca pude te alcançar. Nunca foi o suficiente.

Moça, eu pensei que te conhecesse e, mais uma vez, você me usou, me usou. Eu deveria ter te deixado muito antes de você ter me usado assim. Você gastou meu dinheiro, dirigiu meu carro… e eu te tratei como uma estrela brilhante. Agora eu posso dizer com todas as letras: Você está devidamente queimada no meu céu. E sabe o melhor? Eu irei rir por último quando te ver andando com outro cara, pois eu sei que você vai acabar totalmente sozinha. E falo sério.

Aproveite essas palavras e escute o meu conselho: Tudo o que você fez vai voltar em dobro e, já que você nunca se importou com o quanto isso dói, só me resta te dizer que, lá no fundo, eu pensei que te conhecesse e, pela última vez, você me usou. Eu realmente deveria ter te deixado muito antes de você ter me usado assim, moça.

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100 melhores álbuns (que eu ouvi) em 2015 http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2016/100-melhores-albuns-que-eu-ouvi-em-2015/ http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2016/100-melhores-albuns-que-eu-ouvi-em-2015/#comments Thu, 07 Jan 2016 18:46:43 +0000 John Pereira http://www.johnpereira.com.br/devaneios/?p=9819 Read More]]> Quando a gente começa a brincar com listas de fim de ano, a gente acaba concordando (ou não) do que é publicado no momento em que elas são disponibilizadas.

Olhando para o #Listão2015 do Audiograma, percebi que seria legal dar continuidade a uma ideia pessoal que surgiu em 2009 e voltei a colocar em prática no ano passado, que é divulgar uma lista pessoal com os melhores discos lançados no ano corrente. Repetindo a dose, separei 100 discos que eu ouvi em 2015 em um post.

Ouvi muita coisa durante o ano, mas confesso que ordenar os 100 álbuns foi complicado. Mudei a ordem das coisas milhares de vezes e, provavelmente, mudaria outras mil caso não publicasse a lista por agora. Se a memória (também conhecida como bloco de notas) não falha, foram mais de 160 álbuns ouvidos e muitos deixados de lado. Por exemplo, não ouvi até hoje os novos discos do Silva, da Ellie Goulding, do Keith Richards (ouvi faixas isoladas), da Bjork ou do Tame Impala (por não ter muita paciência com a banda), muito menos dos queridos Twenty One Pilots e The Weeknd.

Abaixo, estão os 100 álbuns com uma breve descrição dos 40 primeiros e player para você ouvir e dizer se concorda comigo ou não, fechado?

70. Major Lazer – Peace Is the Mission

68. Sara Bareilles – What’s Inside: Songs from Waitress

66. Toro y Moi – What For?

64. Cidadão Instigado – Fortaleza

62. Ben Folds – So There

60. Chris Cornell – Higher Truth

58. Editors – In Dream

56. Laura Marling – Short Movie

54. Mark Ronson – Uptown Special

52. Daniel Johns – Talk

50. The Libertines – Anthems for Doomed Youth

48. Iron Maiden – The Book of Souls

46. Mac Demarco – Another One

44. Natalie Prass – Natalie Prass

42. Zella Day – Kicker
69. Motörhead – Bad Magic

67. Boogarins – Manual

65. The Chemical Brothers – Born in the Echoes

63. Placebo – MTV Unplugged

61. Beirut – No No No

59. Jamie xx – In Colour

57. Blur – The Magic Whip

55. Courtney Barnett – Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit

53. Julia Holter – Have You in My Wilderness

51. Drake – If You’re Reading This It’s Too Late

49. William Fitzsimmons – Pittsburgh

47. NX Zero – Norte

45. Modest Mouse – Strangers to Ourselves

43. Chvrches – Every Open Eye

41. Erykah Badu – But You Caint Use My Phone

40. Danko Jones – Fire Music

Fire Music é um trabalho que vai direto ao ponto e sem firulas. Tem energia, contagia, tem elementos de punk, hard rock e metal, cumprindo aquilo que se espera de um disco do Danko Jones. No entanto, o ponto alto continua sendo as letras, divertidas e ácidas como nos trabalhos anteriores. Se o Danko não consegue variar muito de um disco pro outro, a banda mostra um crescimento que vale a audição. É rock bem feito. Rock que muitas bandas gostariam de fazer e não conseguem. “Gonna Be A fight Tonight”, “Body Bags” e “Piranha” comprovam isso.

39. Marilyn Manson – The Pale Emperor

O disco não tem tantos elementos eletrônicos ou do ~metal industrial~ que consagrou a carreira de Brian Hugh Warner. Aliás, The Pale Emperor nos faz lembrar aquela boa e velha luta entre o criador e sua criatura. Após muito tempo, parece que o criador assumiu o controle de sua criatura, entregando um disco com uma atmosfera bem diferente dos anteriores. Transitando entre o hard rock e glam, o novo trabalho de Marilyn Manson parece mostrar aos fãs o que vem por aí. “The Mephistopheles of Los Angeles” e“Cupid Carries a Gun” são apenas duas das boas faixas do álbum.

38. Maglore – III

Apesar de gostar do Vamos Pra Rua, não era tão ligado assim no som dos baianos do Maglore. No entanto, III foi de cara um dos discos mais divertidos que ouvi este ano. O álbum já abre alegre com “O Sol Chegou”, mantém o suingue com “Se Você Fosse Minha” e entrega a que, pra mim, é a melhor faixa do disco: “Invejosa”. Tudo isso nas três primeiras faixas do disco, que tem onze no total. Um disco simples, muito bem feito e que mostra o quanto a Maglore vem crescendo.

37. Cage The Elephant – Tell Me I’m Pretty

O Cage The Elephant é uma daquelas bandas que nunca me conquistou de fato (isso também acontece com o Tame Impala) e peguei o quarto trabalho de estúdio dos caras com os dois pés atrás. No entanto, Tell Me I’m Pretty me surpreendeu. É, de longe, o melhor trabalho da banda e capaz de se transformar em trilha sonora para vários momento de sua vida. Ainda bem que não resisti e dei play no disco. Sorte do Cage, azar do Tame Impala.

36. Dover – Complications

Dover andou por caminhos bem aleatórios nos últimos anos. No entanto, resolveu retomar as origens e voltar ao caminho que tornou a banda conhecida, o rock n’ roll. Lançado em fevereiro,Complications é um disco muito curto. São pouco mais de 30 minutos e 10 faixas que remetem aos velhos (e bons) tempos do quarteto espanhol, comando pelas irmãs Amparo Llanos e Cristina Llanos. Os destaques, pra mim, ficam por conta das faixas “Too Late”, “Crash” e “Sisters Of Mercy”.

35. New Order – Music Complete

Lançado em setembro, Music Complete é um daqueles discos que chegava cheio de desconfiança e se tornou uma grata surpresa. É o primeiro trabalho do New Order com um novo baixista e também o primeiro em uma nova gravadora, mas isso realmente não influenciou em nada no produto final. Music Complete é um disco feito para os fãs da fase oitentista do New Order e, talvez por isso, é encarado por muitos como o melhor trabalho desde o Technique (1989). A mescla entre indie rock e eletrônica é bem feita e os destaques ficam por conta de “Restless”, “People On The High Line” e “Superheated”, que tem participação de Brandon FlowersPeter Hook? Não fez falta.

34. Adele – 25

É impossível não gostar de 25Adele navega por novas referências e entrega faixas maravilhosas como“Send My Love (To Your New Lover)” e “Love in the Dark”. Apesar da formula ser a mesma, a fonte mudou. O disco não é tão inspirado nos anos 60 como os trabalhos anteriores e, de todas as faixas do disco,“Million Years Ago” é a que mais se aproxima do que era feito antes. Hoje, Adele tem como referência um R&B mesclado com pop e isso faz a cantora sair de uma possível zona de conforto, deixando claro que a cantora não tem medo de errar. E ver isso no mainstream hoje em dia é muito bom. (eu queria colocar o disco aqui, mas né? valeu aê Adele por não liberar).

33. Sleater-Kinney – No Cities to Love

Dez anos separam o álbum anterior do Sleater-Kinney de seu disco mais recente. Nesse tempo, o trio formado pelas garotas Corin Tucker, Carrie Brownstein e Janet Weiss explorou novos caminhos, novos sons e, depois das experiências individuais, era a hora de retomar o trio. “Price Tag” abre o excelente No Cities To Love e, ao longo de suas dez faixas, percebemos o quanto esse é um disco pessoal e direto. Ele fala do que é urbano e cotidiano, mas não deixa de ser acessível. Entre distorções e a bela e forte voz de Corin, faixas como “Surface Envy”, “A New Wave”, “No Anthems” e “Hey Darling” nos mostram que o Sleater-Kinney voltou em grande estilo. E isso é maravilhoso.

32. Gary Clark, Jr. – The Story Of Sonny Boy Slim

The Story Of Sonny Boy Slim foi lançado por Gary Clark Jr. em setembro desse ano e, com 13 faixas, busca fazer um resgate da vida de Gary. Sonny Boy Slim é o apelido que o músico tem desde que nasceu e é um nome apropriado para um disco que busca conectar o Gary de hoje com o de anos atrás. Como um nome importante do blues nos dias de hoje, Gary transita entre o clássico que era feito nos anos 50 e acrescenta a ele um frescor que ele sempre buscou dar ao seu som. A essência está presente em faixas como “The Healing”, “Grinder”, “Hold On” ou “Down To Ride” e, ainda que fique a sensação de que o músico “economizou nas guitarras”, o resultado é bem interessante e vale a audição. Até porque, é Gary Clark Jr., né?

31. Lenine – Carbono

Engenheiro Químico de formação, Lenine usou isso para dar nome ao seu novo álbum de estúdio,Carbono. Lançado em maio, o disco marca o retorno do músico à sua velha forma, transitando pelo rock e pelo experimental, com pitadas de tropicália e manguebit. Não é a toa que uma das participações do disco é de ninguém menos que a Nação Zumbi, que aparecem em “Cupim de Ferro”. Faixas como “Castanho”, “O Impossível Vem Pra Ficar”, “A Causa e o Pó” e “Quede Água” mostram a mistura presente nas 11 faixas de Carbono e comprovam que, da mesma forma que o elemento químico, Lenine consegue dialogar com estilos sonoros variados e, assim, entrega um dos melhores discos de sua carreira.

30. Lianne La Havas – Blood

Após o excelente disco de estreia, Is Your Love Big Enough? (2012), a grande questão que envolvia Lianne La Havas era se aquela qualidade teria continuidade. Três anos depois, com contrato com selo ligado a Warner e parceria com nomes como Prince, Alt-J e Aqualung durante o tempo de espera prepararam Lianne para o segundo disco. Blood dá a ela o status merecido e mostra que a cantora tem muito mais a oferecer. O soul (ou neo-soul, como queiram) ganhou mais um nome de respeito.

29. Snoop Dogg – Bush

Talvez seja cedo para dizer, mas lá vai: SNOOP DOGG ESTÁ DE VOLTA! Sim, é isso mesmo. Depois de um período meio aleatório da vida (para não dizer outra coisa), parece que Snoop reencontrou o caminho comBUSH. Lançado em maio, o disco não tem uma música que seja marcante como “Beautiful”, mas funciona com maestria no chamado conjunto da obra. Músicas como “Peaches N’ Cream”, “This City”, “R U A Freak”“So Many Pros” são carimbos que comprovam que a parceria entre Snoop e Pharrell Williams ainda pode render frutos muito bons.

28. Florence + The Machine – How Big, How Blue, How Beautiful

O tempo e a certa megalomania que tomou conta do Florence + The Machine fez com que eu não criasse expectativa em torno do How Big, How Blue, How Beautiful, terceiro álbum de estúdio do projeto capitaneado por Florence Welch. Por não esperar nada, foi fácil me surpreender com essa vibe mais centrada e sem a excentricidade presente em Cerimonials (2011). O trabalho ainda gira em torno de Florence, mas a construção do disco ganhou um foco mais realista ou “mais banda”, se assim podemos dizer. O disco soa mais divertido de se ouvir, ainda que as letras retratem várias das perturbações de Welch. Ao que tudo indica, a fase “conto de fadas megalomaníaco” ficou para trás. O que é muito bom!

27. Widespread Panic – Street Dogs

O primeiro álbum de inéditas em cinco anos não poderia ter sido produzido de uma forma melhor. Street Dogs é o resultado de uma reunião em estúdio e uma captação ao vivo de todas as 10 faixas do disco, o décimo segundo do Widespread Panic. E toda a essência ao vivo da banda está lá: A pegada jazz, os instrumentais estendidos, a improvisação e músicas maravilhosas como “Sell Sell”, “Angels Don’t Sing The Blues”, “Steven’s Cat” e “Tail Dragger”. Já deu o play? Tá esperando o que?

26. Foals – What Went Down

What Went Down mantém o conceito básico de renovação que é adotado pelo Foals ao longo de sua carreira. O quarto trabalho de estúdio deixa claro que a banda segue em uma eterna busca por novos elementos e, com isso, acaba se distanciando um pouco daquilo que foi feito lá em 2008, quando lançaram o Antidotes. Para alguns, isso seria um problema. Para o Foals, resulta em um trabalho que evidencia a sua melhor forma, graças a músicas como “Mountains At My Gates”, “Snake Oil”, “A Knife in the Ocean” ou “Night Swimmers”. Vale (e muito) o play.

25. of Montreal – Aureate Gloom

Kevin Barnes transformou o 13º álbum do of Montreal em uma longo conto sobre sua tragédia pessoal. Após 11 anos de convívio, o músico se separou de sua mulher e isso acabou carregando todo o trabalho da banda. Isso seria motivo suficiente para alimentar ainda mais as viagens psicodélicas de Barnes mas, ao que parece, elas ficaram restritas ao clipes ligados ao álbum. Aureate Gloom é, provavelmente, o trabalho mais sincero do grupo até hoje, ainda que continue explorando um processo criativo que começou lá no Skeletal Lamping (2008). Eu diria que, pela primeira vez, é possível ver quem é o Kevin Barnes além de todo o lado alucinógeno presente em sua mente.

24. Scalene – Éter

O segundo álbum da Scalene saiu no meio de um turbilhão de coisas. A banda estava exposta na TV, se apresentou em dois festivais de grande porte no Brasil e nos EUA e ainda carregava a “missão” de fazer algo tão bom como o seu antecessor, Real/Surreal (2013). O disco filtra mais as influências e se mostra mais centrado e focado, ainda que mantenha a mesma linha do disco anterior. Se destacando pelas letras e por sua melodia, a Scalene tem material que a faz capaz de se consolidar no cenário musical nacional e faixas como “Sublimação”, “O Peso da Pena”, “Legado” e “Histeria” conseguem comprovar isso.

23. Tyler, The Creator – Cherry Bomb

Tyler é um daqueles caras de quem você não consegue esperar nada e foi com os dois pés atrás que peguei o Cherry Bomb para ouvir. Lançado em maio, é resultado de mais um delírio do rapper que, dessa vez, está menos ácido. Toda aquela veia homofóbica e machista que era tão forte nos álbuns anteriores deu lugar a um Tyler mais interessante. Cherry Bomb é um álbum carregado de influências e que se destaca nos momentos em que a veia jazz/neo-soul de seu mentor se destaca. Impossível não gostar de“Find Your Wings”, “Smuckers” e “Okaca CA”, por exemplo. A sinceridade de Tyler ainda está lá, as boas referências também. Talvez a fase do choque tenha passado, né?

22. Title Fight – Hyperview

Se pudesse representar o novo álbum do Title Fight com apenas uma palavra, diria amadurecimento. Esse é o principal elemento presente em Hyperview, lançado no início desse ano. Os elementos do pop punk característico da banda ainda estão lá, mas eles ganharam um frescor e uma pegada mais atual e músicas como “Liar’s Love”, “Mrahc” e “Dizzy” deixam isso ainda mais evidente. A banda olhou o seu passado para conseguir seguir adiante e o resultado disso foi extremamente positivo.

21. Brandon Flowers – The Desired Effect

Brandon Flowers conseguiu fazer sozinho o que todo o fã do The Killers gostaria de ouvir novamente: Um bom álbum. The Desired Effect é o segundo trabalho solo do vocalista da banda e deixa claro que a fórmula na qual Brandon acredita ainda pode dar resultado. Enquanto a sua banda não conseguiu causar o efeito desejado com Battle Born (2012), Flowers conseguiu absorver bem o que fez de bom emFlamingo e acrescentou todo o synthpop que ele tanto ama. “Can’t Deny My Love”, “Still Want You”, “Lonely Town”, “I Can Change” e “Diggin’ Up The Heart” comprovam que ele ainda sabe o que faz.

20. Belle and Sebastian – Girls in Peacetime Want to Dance

Se tem uma coisa que Stuart Murdoch sabe fazer nessa vida é contar histórias e o novo álbum de estúdio do Belle and SebastianGirls In Peacetime Want to Dance, é mais um exemplo disso. A essência da banda continua alí no DNA de cada uma das 12 faixas do disco, resultando em um disco que todos os fãs esperavam (e amaram). Todo o trabalho em torno de faixas como “Nobody’s Empire”, “Ever Had a Little Faith” e “Allie” fazem do disco, lançado em janeiro, mais um na lista de bons trabalhos da banda de Glasgow.

19. Faith No More – Sol Invictus

Sol Invictus é o primeiro álbum de inéditas do Faith No More desde a retomada de suas atividades, lá em 2009. Apesar da qualidade já conhecida, acredito que o tempo de espera entre o retorno e o novo álbum tenha sido uma das decisões mais acertadas que o grupo capitaneado por Mike Patton poderia ter tomado. Com dez faixas, temos um Faith No More que ainda é capaz de se impor no cenário musical, mostrando a qualidade de sempre aliada a experiência adquirida após dezoito anos de espera pelo sucessor de Album Of The Year. Ah, é válido lembrar que, a cada audição, “Superhero” e “Motherfucker”ficam ainda mais sensacionais.

18. The Hollywood Vampires – Hollywood Vampires

Alice Cooper, Johnny Depp e Joe Perry sentaram em uma sala, se entreolharam e pensaram: “Por que não?”. Deve ter sido assim que o Hollywood Vampires (que é um projeto antigo de Alice) ganhou uma versão 2015 e juntou nomes como Perry Farrell, Dave Grohl, Slash, Brian Johnson, Robby Krieger, Paul McCartney, Zak Starkey e Joe Wash, além de Duff McKagan e Matt Sorum, que acompanham a banda em turnê. Tudo isso não poderia resultar em algo ruim, ainda que nada de novo estivesse sendo feito. O objetivo era homenagear o rock e os seus clássicos e ainda soltar coisas inéditas (e boas) como“Raise The Dead”. Vale pela história, vale pela homenagem, vale pelo bom e velho rock n’ roll.

17. Ghost – Meliora

O Ghost é um daqueles casos de banda que me ganhou com o tempo e, provavelmente, a chegada dePapa Emeritus III ao comando dos Nameless Ghouls foi o fator determinante para que eu desse a atenção devida (e merecida) a banda. Músicas como “From the Pinnacle to the Pit”, “Cirice” (a melhor delas) e “Mummy Dust” mostram a evolução da banda. Isso sem contar “Majesty”, que mostra o quanto a banda Meliora a cada álbum (perdão, não resisti a essa piada ridícula).

16. Noel Gallagher’s High Flying Birds – Chasing Yesterday

É tão bom ver (e ouvir) o Noel cada vez mais a vontade em sua carreira solo. É melhor ainda perceber que o músico não deixa de crescer e enriquecer o seu trabalho com o passar dos anos. Chasing Yesterday é aquele álbum que você consegue imaginar um estádio lotado cantando cada uma das músicas. No entanto, ele também funciona trancado no quarto, como trilha sonora de uma viagem… ele é o retrato de seu criador, que resolveu entregar um disco mais cru, tomar decisões acertadas e se consolidar ao lado do High Flying Birds. Sorte a nossa que ganha de presente coisas como “Riverman”, “Ballad of the Mighty I” e“In the Heat of the Moment”.

15. Wilco – Star Wars

Jeff Tweedy e companhia tomaram um pouco de água em alguma fonte da juventude antes de se reunirem em estúdio para trabalhar no nono álbum de estúdio do Wilco. O resultado disso foi divulgado de surpresa em julho com o nome de Star Wars e mostra uma banda em busca de novos elementos, arranjos e sonoridade. Claro que os elementos apresentados em discos dos anos 2000 estão lá e músicas como “You Satellite” e “Magnetized” deixam isso mais evidente, mas talvez Star Wars seja mais um ponto de partida do Wilco no cenário musical, da mesma forma que a famosa franquia no cinema.

14. Frank Turner – Positive Songs For Negative People

Frank Turner coloca na rua mais um disco onde o foco são as desilusões amorosas. Considerado por muitos como uma continuação de Tape Deck Heart (2013), Positive Songs For Negative People é um disco explosivo e carregado de uma sinceridade impressionante. Acompanhado do Sleeping Souls, Turner é um daqueles caras capazes de arrepiar e fazer com que você se apaixone por músicas como“Josephine”, “Get Better” ou “Glorious You”.

13. Ryan Adams – 1989

Sabe aquele que foi eleito como um dos melhores discos de 2014? Então, Ryan Adams resolveu desconstruir e refazer o 1989, disco da Taylor Swift. Adams deu a sua cara a músicas já consagradas como “Shake It Off” e “Blank Space” e o resultado é bem positivo. Talvez não agrade quem gosta do pop feito pela Swift, mas é capaz de agradar a uma parcela que, até então, não tinha sido atingida pelas letras do disco. Foi uma das boas surpresas do ano.

12. Johnny Hooker – Eu Vou Fazer Uma Macumba para te Amarrar, Maldito

É de Recife que vem um dos discos mais legais do ano. Johnny Hooker resolveu contar histórias de paixão, desilusão e desejo em seu disco de estreia, que ganhou o nome de Eu Vou Fazer uma Macumba Pra Te Amarrar, Maldito!. Com esse nome, nada mais natural do que Hooker falar de amor de uma forma passional ao longo das 11 faixas, com o apoio de ritmos como o brega, a gafieira, o frevo e o axé. Tudo junto e misturado em faixas como “Alma Sebosa”, “Volta”, “Desbunde Geral”, “Boato”, “Amor Marginal” e a que dá nome ao trabalho. É autêntico e até mesmo arrojado. E isso merece espaço.

11. City And Colour – If I Should Go Before You

O novo álbum do City and Colour entra fácil para a lista de discos bons de se ouvir em 2015 e, para a minha surpresa, acabou sendo o mais votado entre a equipe do Audiograma. Dallas Green tentou dar um passo maior que a perna em seu quinto álbum, ganhando uma pegada mais urbana, experimental e perdendo um pouco da pegada folk dos trabalhos anteriores. O resultado foi extremamente positivo e músicas como “Wasted Love”, “Runaway”, “Lover Come Back”, “Northern Blues” e “Blood” fazem de If I Should Go Before You um dos grandes discos do ano. E o melhor do City And Colour até hoje. Obrigado, Dallas.

10. Elza Soares – A Mulher do Fim do Mundo

Dá para dizer que Elza Soares fez uma retrospectiva de seus mais de 60 anos de carreira de uma forma diferente: Com faixas inéditas e um disco maravilhoso. A Mulher do Fim do Mundo foi lançado em outubro e conta com elementos de diversas fases da cantora. Com um time de respeito por trás, Elza fala da vida, de conflitos, de sexo, tristeza, libertação, violência e faz tudo isso de uma forma natural, como se cada letra fosse uma experiência pessoal da incansável cantora. Com uma vitalidade e versatilidade, Elza vai do rap ao rock, sem deixar o seu DNA sambista de lado, fazendo de músicas como “Maria de Vila Matilde”, “Luz Vermelha”, “Pra Fuder”“Firmeza” e “Benedita” verdadeiros pontos altos da música brasileira em 2015. Na faixa que dá nome ao disco, Elza pede que a deixem cantar até o fim. Com um resultado como ele, não precisa nem pedir novamente.

09. Kurt Vile – b’lieve i’m goin down

Kurt Vile deixou para trás os tempos de War On Drugs e segue firme em sua carreira solo. E foi comB’lieve I’m Goin Down… que o músico me conquistou de vez. Com um folk 2.0 (ah, esses termos), Kurt nos brinda com músicas como “Pretty Pimpin”, “I’m an Outlaw”, “That’s Life, tho (almost hate to say)” e“Lost my Head there”, que é o ponto alto do álbum. É um disco interessante e capaz de embalar vários momentos tranquilos (ou nem tanto) do seu dia.

08. Father John Misty – I Love You, Honeybear

Joshua Tillman deixou o Fleet Foxes e partiu para uma carreira solo colocando em evidência o seu lado sedutor, cativante e, muitas vezes, sacana. Para isso, um alter-ego: Father John Misty. Com esse lado ainda mais aflorado, o músico lançou em fevereiro o seu segundo álbum, o excelente I Love You, Honeybear. Músicas como “Strange Encounter” e “Nothing Good Ever Happens at Goddam Thirsty Crow”são dignas de serem lembradas, assim como “I Went to the Store One Day” e “When You’re Smiling and Astride Me” (de longe, a melhor do disco). Duvido que você não se emocione… ou ache engraçado. Vai saber qual o seu momento, né?

07. Tulipa Ruiz – Dancê

Tulipa Ruiz resolveu colocar todo mundo para dançar com o seu novo álbum, Dancê. E conseguiu. Impossível não querer se levantar e arriscar alguns passos ao ouvir músicas como “Prumo”, “Proporcional”ou “Físico”. Da mesma forma que é impossível não querer cantar junto ao ouvir “Elixir” ou “Expirou”. É feito pra cantar. É feito pra dançar. Dancê é pra te tirar da zona de conforto e mexer o corpo. Coisa que, inclusive, vou fazer agora. Obrigado, Tulipa.

06. The Bohicas – The Making Of

Essa foi a minha grande descoberta em 2015. Com produção de Mark Rankin (Queens Of The Stone Age), Chris Hughes (Tears for Fears) e Oli Bayston (Toy), The Making Of é o debut dos britânicos doThe Bohicas e é um trabalho muito divertido de se ouvir. Tem energia, tem barulho, é vibrante e é totalmente capaz de grudar no seu ouvido já em sua primeira audição. Músicas como “Swarm”“To Die For”, “XXX”, “Where You At” e “Upside Down and Inside Out” podem te conquistar.

05. Emicida – Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa

Forte. Intenso. Ácido. Agressivo. Difícil encontrar um termo apenas para descrever o novo trabalho deEmicida. Em Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, o rapper versa forte sobre a vida na periferia, a falta de oportunidades para todos e a falta de recursos para a evolução. No entanto, os temas mais fortes do disco são o racismo e o preconceito. Emicida fala com propriedade sobre a luta, sobre o sistema e sobre aquilo que está enraizado na construção do ser humano. Forte. Intenso. Ácido. Agressivo. É Emicida colocando o dedo na ferida desde os primeiros versos de “Mãe”, passando por “8”, “Baiana” (com Caetano Veloso), “Boa Esperança”, “Trabalhadores do Brasil” e, principalmente,“Mandume”, que é a melhor faixa do disco. O play é obrigatório.

04. The Dead Weather – Dodge and Burn

Em setembro, o The Dead Weather soltou o seu terceiro álbum de estúdio, Dodge and Burn. O disco é carregado de boas referências e passeia por diversos estilos e influências carregadas pelo quarteto formado por Jack White, Alison Mosshart (The Kills), Dean Fertita (Queens of The Stone Age) e Jack Lawrence (The Raconteurs). É o trabalho mais acertado da banda até o momento e músicas como“I Fell Love (Every Million Miles)” ou “Cop and Go” provam isso. No entanto, o grande destaque fica por conta de “Impossible Winner”, uma das músicas mais bonitas que eu ouvi em 2015.

03. Eagles of Death Metal – Zipper Down

O bom e velho rock and roll californiano do Eagles of Death Metal está de volta com Zipper Down. Lançado oficialmente em outubro, o quarto trabalho do projeto capitaneado por Josh Homme e Jesse Hughes tem barulho, rockabilly, soa alternativo quando precisa e ainda tem as sensacionais “Got The Power”, “Silverlake (K.S.O.F.M)” e “Complexity”. É um disco rápido e gostoso de se ouvir. É pra se divertir na companhia dos amigos e até arriscar alguns passos de dança. E ainda tem uma versão sensacional de“Save A Prayer” do Duran Duran. Simplesmente, ouça.

02. Alabama Shakes – Sound & Color

Enquanto Boys & Girls (2012) era pautado pelo imediatismo, por algo quase impositivo e enérgico, Sound & Color foge totalmente disso. Brittany Howard, Zac Cockrell, Heath Fogg e Steve Johnsonnavegam entre diferentes estilos. Tem Blues, Soul, Indie, Country, Gospel, Garage Rock… tem referências claras as décadas de 1950, 1960 e 1970… e tem a voz perfeitamente incrível da Brittany, capaz de fazer chorar em faixas como “This Feeling”, empolgar em “Don’t Wanna Fight” e, se ainda tiver ficado dúvida, conquistar de vez em “Over My Head”. E ainda tem “Gemini”

01. Kendrick Lamar – To Pimp a Butterfly

A grande dúvida de todos era: Como Kendrick Lamar lidaria com o primeiro álbum depois do sucesso de Good Kid, M.A.A.D City, lançado em 2012? Pois bem, em março Kendrick entregou To Pimp a Butterfly e, nele, simplesmente dá um tapa na cara de uma sociedade que trabalha em função do dinheiro em torno do entretenimento, levando isso a fundo com a tentativa de exploração da cultura negra como entretenimento. Tá lá a apropriação cultural, a luta de classes e todas as lutas com as quais Kendrick e todos os negros presentes no cenário musical (e no entretenimento como um todo) lutam todos os dias. Destaque para as faixas “u”, “i”, “Institutionalized” e “King Kunta”.

As resenhas dos 40 discos foram extraídas do #Listão2015, publicado pelo Audiograma.

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2015 foi aquele ano em que… http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2016/2015-foi-aquele-ano-em-que/ http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2016/2015-foi-aquele-ano-em-que/#comments Tue, 05 Jan 2016 18:55:23 +0000 John Pereira http://www.johnpereira.com.br/devaneios/?p=9810 Read More]]> O ano vai acabando e eu me peguei escrevendo sobre tudo o que passou. Talvez seja uma tradição que se inicia mas, ao longo de 2015, não me imaginei repetindo o que eu fiz no fim do ano passado, quando publiquei um balanço do que tinha sido aquele ano. No entanto, cá estamos com muitos aprendizados, muitas alegrias, algumas lamentações e a certeza de que a melhor forma de me despedir desse ano é fazendo o que me deixa mais feliz no momento: Escrevendo.

Ao terminar 2014, acreditei que eu tinha na cabeça todo o conhecimento suficiente para entrar em 2015 e fazer dele um ano melhor. Parece egocentrismo mas, no fundo, eu sabia que eu devia sorrir mais, abraçar minhas mães, viajar o mundo e socializar, parafraseando uma música do Supercombo. Sendo bem honesto, até que eu tenho motivos para dizer que algumas dessas coisas aconteceram. No entanto, o processo pelo qual o ano foi se construindo fugiu completamente de um roteiro previamente planejado. E quem me conhece bem, sabe o quanto sou previsível e adoro roteiros. Quando dei por mim (e isso faz pouco tempo), acumulei algumas histórias, pessoas, fatos, sorrisos e posso dizer que fui feliz, ainda que alguns pontos não se encaixem e eu ainda não possa me considerar plenamente feliz. 2015 foi um ano de aprendizado, acima de tudo. E isso vai aparecer em algum momento desse texto. Acima de qualquer coisa, 2015 foi um ano capaz de me mostrar que a vida sem roteiros pode ser mais legal. E esse talvez seja o grande aprendizado até o momento.

O resultado dessa reflexão anual deveria ter sido publicado antes do ano acabar, mas isso não aconteceu por um bom motivo: Resolvi aproveitar os dias com a galera que mais foi presente na minha vida em 2015, principalmente pelo fato dos amigos de outras cidades terem encarado alguns KMs que nos separam para passar o reveillon nas montanhas de Minas Gerais. Logo, larguei os textos pessoais (e os do Audiograma) em prol da convivência com a Karen, o André, o Mateus e a Fernanda. Além é claro dos mineiros como o Tullio, Dri, Claris, Larry e Mylena. Faltaram o Franz (que acabou no seio familiar no interior de SP), a Jéssica (que resolveu viajar e nos largou) e o Fernando (que tava curtindo uma praia no litoral sul), mas estão aqui representados pela zueira.

Então, enquanto escrevia essas linhas ao longo dos últimos dias, traçava um roteiro para abordar tudo o que gostaria. Pensei em dividir esse resumo em categorias ou ir andando de acordo com o passar dos meses. No fim, optei por classificar os fatos do ano e falar em uma ordem que achasse relevante. Esse texto está sendo escrito ao longo dos últimos dias e, hoje, ao começar, não tenho a menor ideia da forma ideal para fazer isso. No entanto, vamos lá do jeito que me parece mais legal, certo?

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… eu mudei de emprego.

A bola começou a rolar com uma mudança importante na vida. Foi o mês onde eu consegui parar, pensar e decidir mudar a minha vida profissional. Eram quatro anos em uma empresa que nunca falhou comigo e aonde eu ainda tenho muitos amigos, mas eu realmente precisava de uma mudança e de novos desafios. Aquele velho dilema de se sentir estagnado em um lugar e não conseguir saber o que fazer era cada vez mais forte e a ideia que amadurecia naquele momento era a de deixar o emprego e me dedicar exclusivamente ao Audiograma.

Provavelmente, eu farei isso um dia (a menos que arrume um puta emprego que pague 12K por mês como a vaga da Unicef que o Tullio me mostrou faz algumas semanas) e me dedicarei exclusivamente ao meu projeto pessoal. Essa a ideia não foi descartada e está apenas em stand-by por aqui. No entanto, naquele momento em que decidi sair do antigo emprego, eu tinha uma oportunidade na mão que compensava financeiramente e, na outra, a chance de focar no meu filho, que é esse site laranja. Muitos diriam que era a hora de apostar e seguir o coração e eu sei bem disso, mas eu acabei sendo racional demais para fazer isso nesse momento e, semanas depois, começava minha jornada em outra rádio popular, mas com uma pegada mais alegre e que me atendia no momento (não toca rock, mas tá bom).

Acredito que ser racional nessa hora talvez tenha sido a minha maior virtude e nunca saberei o que poderia ter acontecido caso optasse pelo outro caminho, mas não me arrependo disso. A vida segue seu curso e me sinto feliz por fazer parte de uma equipe foda que é a da BHFM. E poder passar um pouquinho do que eu sei ali dentro é ainda mais gratificante. O maior receio era o de ser aceito por todos. Eu sempre tive (ainda tenho e, provavelmente, terei para sempre) essa ~neura~ com aceitação. Querendo ou não, eu estava numa empresa nova, em um grupo que é tido como um dos maiores de comunicação do mundo e com pessoas completamente diferentes das que eu estava acostumada. Ver como as coisas fluem hoje em dia só me faz ter certeza de que fiz a escolha certa e sou muito grato por isso.

Foi graças ao emprego novo que conheci a Pri (que fez o mesmo que eu meses depois e foi pro MTC), que ganhei a parceria da Nath, da Marina, da Erika, da Thais e da Lu, pude voltar a trabalhar com o mano Gleyson e, depois de uma treta engraçada lá em 2006 envolvendo Pop Rock Brasil, Orkut e 98FM, pude começar uma parceria com o Jonas. Fora as demais pessoas. Fora o ambiente legal. Fora as conquistas obtidas durante o ano. É, eu sou grato por isso.

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… eu vi show para caralho.

Tem coisas que não mudam. Uma delas é a minha relação com shows. Eu estou com um projeto de contabilizar todos os shows que vi na minha vida e, enquanto minha memória ainda funciona, tenho tentado resgatar datas e shows antigos que vi de 2001 para cá, quando minhas aventuras começaram naquele Pop Rock Brasil com shows do Live e do Soul Asylum.

Em 2015 foram mais de 50 shows espalhados pelos meses do ano. Vi muitas coisas boas, outras coisas tristes e algumas bem decepcionantes. Nessa parcela está o famigerado show do Foo Fighters. Quando você vai em um show e gosta mais da banda de abertura – no caso, o Kaiser Chiefs, é porque tem algo de “errado”, certo? Dave Grohl bem que tentou, fez firula, contou as (mesmas) piadas características, mandou uns covers legais e, se eu não tivesse criado tanta expectativa com esse show, teria saído do Mineirão feliz. Talvez aí esteja o problema, já que o show do KF que eu não esperava nada foi incrível e o do FF que eu esperava tudo foi… sei lá, estranho. E olha que eu quase saí em uma excursão louca com o Tullio e o André para ver os quatro shows pelo Brasil. Se eu tivesse feito isso, a chance era grande de eu ficar longos anos sem ouvir qualquer coisa da banda por livre e espontânea vontade. Como vi só um, acabei levando o resto desse ano sem tocar nos CDs e DVDs que tenho e só ouvi o EP preguiçoso que eles soltaram no mês passado. Tão preguiçoso quanto o Sonic Highways, mas não mais preguiçoso que o setlist da turnê pelo Brasil. Decepcionante. Pelo menos teve os amigos que fizeram tudo ficar mais legal. OH MY GOD, I CAN’T BELIEVE IT.

Esse ano, eu vi o Foster The People por duas vezes (e uma era mais do que suficiente), eu vi o Robert Plant duas vezes (e me sinto realizado), eu vi o Far From Alaska três vezes (e até agora não consigo escolher o melhor show), mas nenhum dos que se encaixam na categoria de “shows repetidos” será tão representativo como o Pearl Jam. Foram dois e foram poucos. Deveriam ter sido cinco porque a banda realmente merece. Riscar Eddie Vedder e companhia da lista foi um dos pontos altos do ano e poder ver dois shows de cara valeu muito a pena. Pearl Jam representou perrengues, como organizar ida pra São Paulo faltando dois dias pro show, ter que pedir ajuda pro amigo Franz Ferdinand com hospedagem e encarar show sozinho. A Bruna até que estava lá, mas ela é mais apaixonada que eu pelos caras e tava sendo feliz na grade. Não a vi, mas tá aí uma das pessoas legais que esse ano me deu. E ainda mantive a tradição vendo a Sam e me despedi da Laís, que agora está se preparando para comprar um Porsche e uma Harley Davidson lá em Paris. Em BH também teve perrengue, mas é por culpa da cidade (e minha, do Tullio e da Ana Flávia, que resolvemos nos encontrar na Savassi às 18 horas, faltando 2 horas pro show começar lá no Mineirão e em uma sexta-feira). Quase deu tudo errado, mas deu tudo certo. Ah Pearl Jam, seu lindo.

Teve Lolla de novo com a galera mais loca do mundo. Teve Kasabian, teve Jack White, teve Kooks, Alt-J, Yong The Giant, um fim apoteótico cantando a música mais chiclete de todos os tempos e teve o Molotov. Teve o Molotov e, até hoje, eu não sei descrever aquele show de tão lindo que foi tudo. Eu só consigo agradecer aos mexicanos e ao André, Franz, Mateus, Fernanda, Adriana, Jessica, Larry, Mylena e Tullio por toda a parceria e zueira naquele fim de semana. Meses depois, teve Rock In Rio com (meio show do) Metallica. Teve Korn, Royal Blood, Deftones, Hollywood Vampires e System Of a Down também. Teve Tullio, Mylena, Camila, Larissa e o Hugo. E teve Josh (que) Homme com o seu Queens Of The Stone Age me dando um dos melhores shows do ano. Aiai Josh.

No entanto, quando falo de shows, as duas experiências mais legais do ano não foram citadas. Uma delas foi o show do City And Colour. Aquele dia 14 de março ficará para sempre marcado na memória, porque o John que eu conheço (ou conhecia, sei lá) teria desistido de embarcar nessa por vários motivos. No fundo, algo me dizia que esse show seria bom o bastante para me fazer ir para o Rio de Janeiro com um amigo que tava mais a beira da morte do que qualquer coisa e, no fim, tudo o que envolveu aquele fim de semana acabou mudando a minha vida de lá para cá, seja pelo show em si, por ter encarado o rolê com o Tullio e a Dri (e sentido falta da Mylena e da Babi) ou ter voltado ao Rio depois de anos de enorme repulsa pela cidade para ver um cara como o Dallas Green. E essa viagem ainda me deu uma pessoa muito especial de presente nessa vida, que talvez coloca em evidência tudo aquilo que falei lá no início desse relato: A vida sem roteiros pode ser mais legal.

A outra experiência com o cantor da depressão, Damien Rice. Curiosamente, essa também aconteceu no Rio e teve o André como parceiro. Que show. Que vibe. Que momento. Naquele momento e com tantas questões pessoais afloradas, aquele show só poderia resultar em uma coisa: Lágrimas. E não foram poucas. Eu lá, sentado em uma mesa, com um amigo e pessoas desconhecidas, chorando copiosamente como se fosse um menino de 10 anos e tivessem roubado a minha bicicleta novinha. Foi quase que um momento libertador. Provavelmente, nunca mais o Damien Rice fará um show tão especial para mim como aquele do dia 24 de outubro e isso não será um problema. Na verdade, isso só ressalta algumas coisas nas quais eu acredito: Como é bom curtir música ao vivo! Como vale a pena o esforço de viajar, gastar (o que não tem) e ser feliz vendo aquele artista ou banda que você gosta. Se tem uma coisa que me dá prazer (fora cerveja e sexo, não necessariamente nessa ordem) é ir a shows e faço isso com toda a alegria do mundo, pois as experiências são sempre válidas e podem te marcar para sempre. Seja um show meia boca como o do Foo Fighters, seja de uma banda cover do Pink Floyd, de uma das bandas que construiu a sua vida musical como o Pearl Jam ou de caras como o Dallas e o Damien, se tem algo que me deixa feliz é ir a shows, por mais que alguns de vocês que estão lendo isso não entendam. E não critico. Cada um sente prazer com suas coisas preferidas. Tem quem curte balada, tem que curte viajar, tem quem curte lutar e praticar esportes… e tem quem curte shows. E assim vamos vivendo.

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… eu senti saudade de pessoas e conheci outras bem legais.

Em fevereiro teve um carnaval mais low do que o de 2014. Teve bloco debaixo de sol forte, teve chuva torrencial após um dos blocos mais ~hypes~ da cidade, teve passagem pela famigerada Savassi e pelas ruas de Sabará. Só não teve a Marcela, que foi o ponto alto do carnaval 2014. E por puro desencontro, infelizmente. Marcela que é uma das pessoas que eu mais senti saudade nesse 2015 e, por ser a pessoa mais estranha do mundo, só consigo dizer a ela nesse texto de fim de ano. Isso me deixa triste. Bem triste.

Além da Marcela, 2015 foi o ano que me deixou com saudades da Mari Isoni, da Cintia, Nelly e de todo mundo com quem eu trabalhava anteriormente e era “parceiro”. Como não lembrar das resenhas de futeb.. quer dizer, das resenhas sobre o Galão da Massa com o Renato e o William que foram destaques nos anos de Rede Planeta, né? Bateu falta também de pessoas que, por motivos aleatórios, estão mais distantes do que deveriam como a Cis avessa a redes sociais e que mora do lado, mas parece que mora em outro país; a Lu Sorice que deve se mudar para longe de mim; a Mari Terra que tá toda feliz e formada em Publicidade; o Joseph que virou praticamente dono de um supermercado; a Camila que tá cheia de motivos pra sorrir lá em Curitiba; a Marta que segue firme ouvindo muito Nação Zumbi lá em Campinas, a Gabby que teve um filho esse ano e isso me faz pensar que a Clarice tá cada vez maior e eu não a vi até hoje… existem pessoas que marcam de alguma forma a sua vida e, por mais que elas não sejam tão presentes, você ainda lembra e sempre deseja o melhor.

Esse ano fez com que eu me reaproximasse da Polly e tudo isso serviu para a gente pudesse aparar diversas arestas que ficaram expostas desde o fim de 2012. Temos as nossas fases e tenho certeza que isso nos fez crescer como pessoas. Não duvido disso. Eu só quero que minhas ex-namoradas (todas, sem exceção) sejam felizes como num filme de comédia romântica onde encontram o cara errado (no caso, eu) e depois o grande amor. Piegas, mas juro que é verdade. Algumas até conseguiram isso. Enfim, voltando ao ponto principal do trecho, me lembrei aqui da Ana Flávia, que voltou da Espanha esse ano e tem sido minha fonte de reggaeton numero um (e companhia de roubadas como pegar um táxi às 18 horas de sexta-feira). A Ana é amiga desde a faculdade mas a gente só passou a se falar depois de formados (vai entender) e é uma pessoa incrível. Que em 2016 os bares e cervejas com ela sejam mais frequentes. E ainda teve a galera que surgiu na vida por causa de uma cobertura de evento e que eu passei a admirar o trabalho como nunca (ei Anna Julia, sua linda), por causa da festa de aniversário de sua amiga (ei Marina, sua linda), por causa de shows (beijo, Camila’s), por causa de aplicativos e redes sociais (olar Jessica, Luisa e Pam), por causa do emprego novo (já citei todos lá em cima, beijos) ou até mesmo por causa de um bilhete entregue no ônibus (beijo, vizinha Glayce). Vai saber quem fica ou não, né? A gente sempre torce para que as boas amizades perdurem ou se tornem ainda mais fortes. Fortes a ponto d’eu apenas agradecer por ter pessoas como as minhas mães, a Rachel, a Fran, a Nina ou todo o chat lolla que é o grupo do ~zap zap~ mais foda que eu conheço por perto.

Ah, que bonito, né? Eu até consigo ser uma pessoa amorosa em alguns momentos. essidois

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… eu me apaixonei.

Recentemente, o amigo Tullio fez uma analogia muito inteligente no Instagram com uma foto e a música “Tuna In The Brine”, do Silverchair. Não levando ao pé da letra, podemos dizer que em 2015 eu acabei encontrando a chave perdida que dava acesso ao meu coração e, sem eu perceber, alguém pegou essa chave e resolveu abrir a porta, deixando tudo que tava preso lá dentro e que eu não queria sentir de novo aparecer.

2015 me deu uma pessoa muito legal de presente e da forma mais improvável possível e, quando penso em tudo o que rolou desde então, o sentimento de admiração/amor pela pessoa que ela é ainda é maior que qualquer vontade que eu tenha tido de mandá-la pro inferno por me deixar louco de uns tempos para cá. Aliás, parafraseando uma dupla sertaneja, posso dizer que “ainda sou o mesmo, bobo apaixonado” de alguns meses atrás, mas isso não vem (mais) ao caso, eu acho.

Por muitas vezes (e até da própria pessoa), ouvi que a gente não tem o poder de escolha quando o assunto é gostar de alguém e que essas coisas acontecem como devem acontecer. Em alguns casos dá certo, em outras isso dá muito errado e, no máximo, você descobre uma boa amizade. Tem casos em que nada dá certo e você não quer ver nem a sombra da pessoa. E tem casos onde, por mais que você tente, se desligue, tente viver a vida e conhecer gente nova (nem que seja apelando para o Tinder), a pessoa se afaste e você tente fechar essa maldita porta para criar a ilusão de que está tudo bem, essas coisas demoram a passar. Principalmente quando você ouve que ”se pudesse escolher alguém para amar para sempre, seria você”.

Coitada da Clarisse, da Rachel e da minha psicóloga. Elas ouviram tanto sobre esse assunto, falaram tanto no meu ouvido sobre caminhos, seguir em frente, pensar na minha felicidade, deixar as coisas fluírem e ver o resultado… mas eu não sou bom nessa coisa de ficar a deriva esperando o vento guiar esse barco cheio de remendos. Nunca fui, na verdade. Talvez me falte a paciência que tenho para várias outras coisas. São tantos questionamentos na cabeça que isso vai além do simples “eu gosto de uma pessoa e, agora, vou desligar esse botão aqui e deixar de gostar”. Alias, deixar de gostar é uma coisa complicada e que eu nunca vou entender como tem pessoas que realmente viram a chave e deixam de sentir (vai ver nunca sentiram, né?) algo por alguém que, no dia anterior, era o amor da sua vida. E, por mais que pareça legal, não sei se eu queria ter essa item de fábrica. Não que eu goste de sofrer por alguém, mas você me entende. Você me entende, eu sei.

Esse assunto foi tão recorrente por aqui durante o ano que, provavelmente, esse espaço acabou se tornando em um mono-tema em 2015. Ao contrário dos momentos anteriores da vida, eu tô aprendendo a lidar com tudo isso que tá dentro de mim e tentando não me auto-destruir ou destruir alguma relação de amizade que eu posso ter com a pessoa. Parece discurso de derrotado (e talvez seja), mas tem horas em que você começa a entender melhor essa coisa de poder ou não poder ser. No fundo, o sentimento que martela na cabeça pode ser representado por outra frase da mesma música sertaneja citada anteriormente: “Eu só sei que a vida é mais colorida com você”. E quando você começa a citar música sertaneja é porque a coisa tá feia mesmo, né?

Vamos ver o que 2016 me reserva…

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… a vida levou as minhas fantasias e os sonhos de viver a vida (mas já devolveu alguns).

“Não mudei de cidade, nem de telefone, só escolhi ser feliz”. Luan Santana diria isso imaginando coisas legais em sua vida como uma Chuva de Arroz após o seu casamento. Não que eu pense em casamento (ainda mais depois do tópico anterior), mas resolvi usar isso como um gancho para falar de coisas legais, que são os sonhos nossos de cada dia. Todo mundo tem os seus e o ano que se encerrou foi responsável pela mudança/adiamento de vários deles por aqui, principalmente quando o assunto são os sonhos pessoais.

É engraçado você pensar que, por mais que dependa de terceiros, os ditos sonhos profissionais são mais fáceis de se realizar do que aqueles que, teoricamente, dependem só de você. Não que eu tenha realizado vários sonhos profissionais ao longo do ano, mas não dá pra negar que eles se tornaram mais passíveis de se tornarem realidade em 2016 e isso é um passo legal. Não podemos negar, né? Na outra ponta da corda, tudo aquilo que pode ser considerado como sonho pessoal continua como estava a 365 dias atrás. Algumas foram engavetadas, outras simplesmente deixaram de fazer sentido e foram riscadas e são nessas horas que a gente precisa aprender a lidar com tudo isso. Uma pessoa me disse uma vez que sonhos vem e vão e essa talvez seja a maior verdade sobre o assunto. Alguns ainda permanecem (e espero realizar em 2016), outros se tornaram tão obsoletos quanto um iPhone 3GS (desculpa se você tem um, mas é verdade e você precisa lidar com isso. Da mesma forma que eu preciso lidar com o fato de que o meu 4S caminha para o mesmo lugar).

O fato é: Direcionei tanto o foco para a minha vida profissional (porque precisava ou porque queria fugir das questões pessoais) que deixei algumas coisas de lado. Tanto que, enquanto escrevo isso, não me lembro de uma realização pessoal tão importante para ser citada, já que todas elas possuem relação direta com o meu trabalho ou com o Audiograma.

Resolução para 2016 nesse ponto? Tentar dar foco ao pessoal. Espero que funcione…

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… me descobri (ou percebi que posso fazer isso).

Isso até poderia ser uma conquista pessoal do ano, mas é mais do que isso. Talvez esse tenha sido o grande ganho do ano que acabou faz alguns dias. Mais do que amigos novos ou experiências musicais, 2015 fica marcado por aqui como um ano onde um processo de descoberta pessoal se iniciou. Lidar com meus medos, receios e vontades sempre foi algo complicado e, graças a um empurrão, cá estou eu me dedicando nesse processo com ajuda da Amanda, minha psicóloga. Tadinha, deve me achar a pessoa mais aleatória do mundo por causa do meu comportamento “cachorro correndo atrás do próprio rabo”, mas é involuntário. Eu juro.

Conseguir falar abertamente das coisas que me incomodam sem precisar tomar algumas cervejas para isso faz com que eu me sinta bem. Mais do que isso, perceber que essa vontade de buscar um “eu melhor” por aqui transforma esse ano em algo importante. Muito importante. Teve coisas boas, coisas ruins, momentos para sorrir e outros tantos para chorar, conquistas, perdas, desilusões e vitórias dentre tantas outras coisas que acontecem a cada um de nós durante 365 dias. Parece piegas. Talvez seja. Vai saber. No fim, tudo acaba sendo um plano de fundo para o que realmente fica desse ano que acabou.

Existem várias coisas e questionamentos que pretendo lidar ao longo do ano. Esse processo vai ser longo e, dessa vez, não serei o babaca que se acha autossuficiente (ou auto-suficiente? qual a forma correta?) e capaz de lidar com tudo sozinho. Por mais que a gente pense nisso em determinados momentos, no fundo nós não estamos ou fomos feitos para lidar com tudo de forma solitária. Ao contrário de 2013, em que me isolei do mundo e só queria colocar uma mochila nas costas e sair andando por aí no estilo Into The Wild, hoje eu ainda sinto essa necessidade de sair andando por aí, mas se eu puder levar algumas pessoas comigo, sei que tudo pode ser mais feliz. E, se eu ainda tinha duvidas disso, os meus últimos dez dias antes da publicação desse longo post provam isso.

Apesar da crise (você tem uma que eu sei e não é necessariamente a tal “crise financeira”), que 2016 seja um ano maravilhoso para todos nós.

Nos vemos em algum show por aí. See ya!

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Ps.: Não falei do Galo, né? Mas estamos aí, vivendo e amando essa coisa chamada Clube Atlético Mineiro. Que 2016 seja de títulos e mais presença nos estádios.

PS2.: O Audiograma vai bem (mas espero que vá melhor em 2016), obrigado.

PS3.: A família vai bem também, como toda a família tradicional brasileira.

PS4.: Não comprei, pois gastei o dinheiro todo com cerveja.

PS5.: Não tem mais PS’s, eu acho.

PS6.: Escrevi cada tópico deste post em diferentes dias, momentos e humores. Talvez pareça desconexo, mas é um reflexo da minha mente.

PS7.: Eu vi dois shows do Pearl Jam em 2015. Espero um dia fazer o mesmo com o Silverchair ou o R.E.M.. Pois é. rs

PS8.: Vem na maldade com vontade chega encosta em mim hoje eu quero e você sabe que eu gosto assim.

PS9.: Agora acabou?

PS10.: Sim, tchau. Feliz 2016. Vlw, flw!

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Pedidos de casamento… http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2015/pedidos-de-casamento/ http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2015/pedidos-de-casamento/#comments Sat, 12 Dec 2015 15:47:48 +0000 John Pereira http://www.johnpereira.com.br/devaneios/?p=9802 Read More]]> Existem coisas por aí que nos fazem acreditar nesse tal de amor (ou deveriam, pelo menos).

Uma dessas coisas são os famosos pedidos de casamento. E quando eles são criativos, são ainda mais legais de acompanhar.

Recentemente, aconteceu um pedido do tipo em BH, no Bairro Serra. No fim de novembro, a designer de joias Ana Tomich foi surpreendida pelo pedido especial elaborado durante um bom tempo do ano pelo Vinícius Mendes Faria, que recrutou o filho de Ana, Caio, uma prima dela, Ana Márcia, que mora em Brasília, e vários amigos e parentes para darem uma mãozinha.

Melhor do que eu contar, é vocês verem o vídeo, né?

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Isso me fez lembrar de um outro vídeo de casamento legal que vi nessa vida, com direito a exibição no cinema, onde o amigo Gleyson Lage pediu a Thamara em casamento.

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]]> http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2015/pedidos-de-casamento/feed/ 0 Era sobre o Damien Rice… virou sobre você. http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2015/era-sobre-o-damien-rice-virou-sobre-voce/ http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2015/era-sobre-o-damien-rice-virou-sobre-voce/#comments Mon, 02 Nov 2015 18:22:50 +0000 John Pereira http://www.johnpereira.com.br/devaneios/?p=9787 Read More]]> Organizar as coisas na minha cabeça nunca foram fáceis e, pela primeira vez, eu vi isso acontecendo quando o tema é um show. No caso, o show do Damien Rice no Rio, que aconteceu no último dia 24.

Os dias passam e, por mais que eu queira, ainda não consigo encontrar uma forma de descrever de forma tão honesta o que foi ver, ouvir e se emocionar com tudo o que aconteceu no Vivo Rio. Por muitas vezes, me falaram que existem coisas que acontecem nos momentos adequados/necessários para as nossas vidas e, ao sair daquele local, a única sensação que martelou na cabeça era a de que eu precisava daquele show. Eu precisava daquele momento e daquelas músicas tocadas por um irlandês maluco, com sérios problemas psicológicos e que, na casa dos 40 anos de vida, retrata com maestria todo o processo de dor e sofrimento.

“Ah, o Damien é um cara legal e que fala de amor”. Ok, por mais que alguns olhem para as músicas do Damien como uma trilha romântica (e talvez você que está lendo seja um desses), cada uma das canções consideradas especiais por mim são um retrato de toda a carga sentimental e sofrida com a qual Rice lida com a vida. Ou seja, se tem uma coisa que eu não consigo é olhar para as músicas do Damien como “músicas românticas”. Tudo aquilo é dor, sofrimento, arrependimento, pedido de perdão, reconhecimento das merdas que fez na vida… qualquer coisa, menos amor. E, conforme as coisas caminham na minha vida nos últimos tempos, nada poderia fazer mais sentido na minha cabeça do que trechos e músicas sentimentais e sofridas, certo? E dada a forma como o show bateu aqui, esse texto não faria sentido lá pelo Audiograma. É pessoal demais.

Pois bem, desde o refrão de “Volcano”, música que abriu a apresentação, eu me apropriei do show como se fosse uma representação do John ali no palco. “What I am to you, you do not need”. Era um clima diferente, um momento diferente. “I Remember” era só a segunda música e, apesar disso, tudo começou a fazer sentido na minha cabeça. Foi quando “The Greatest Bastard” entrou em cena.

Logo nos primeiros versos – “I made you laugh, I made you cry”, se tornou impossível não me lembrar de uma certa garota que cruzou o meu caminho e eu deixei partir, talvez por eu ser um dos vários cretinos que ela já conheceu nessa vida. O maior? Não sei. Na verdade, não sei nem se eu tenho (ou tive) essa importância toda para ela, mas nunca me esquecerei de que foi por ela que eu reaprendi a amar. Como bem diz Damien ao longo da canção, alguns conseguem, erram, fingem, se preocupam ou esquecem. Alguns como eu estragam – mesmo sem querer – e se arrependem. O ser humano está sujeito a isso, assim como está sujeito a reconhecer que, mesmo tendo feito, nunca quis decepcionar ou deixar o outro partir. “The Greatest Bastard” levou consigo algumas lembranças e as primeiras lágrimas da noite. Agora, ao lembrar do momento, outras ameaçam cair.

Falar de amor é algo delicado, né? Falar desse sentimento só não é mais delicado do que sentir tudo o que ele proporciona bem bom e ruim e, quando atingimos esse estágio de dor, ser obrigado a perceber que, em algum momento da vida, é preciso seguir adiante. Por mais que esse seja o meu maior desejo agora, sei bem que não tenho o poder de desfazer o que está feito, aquilo que é passado. Por mais que a minha vontade seja de gritar para você a parte final de “Trust and True” e te pedir para vir, sei que eu preciso seguir em frente em algum momento da minha vida e que, provavelmente, você não virá mesmo se eu pedir.

A cada verso entoado por Damien com um tom de desesperança ou a cada acorde tocado com sofrimento aliado a distorção, loops e muita agonia, lá estava eu sentado na cadeira da minha mesa, cantarolando baixinho, enxugando as lágrimas que caiam e dando seguimento ao processo de apropriação intelectual de cada uma daquelas letras. Elas eram tão minhas. Elas são tão minhas que, a cada momento, eu só conseguia me lembrar de traçar um paralelo triste e cortante entre elas e todas as relações amorosas que tive ao longo da vida. Me questionar sobre “não me encaixar” nesse processo comum da vida de se relacionar com outras pessoas e ser feliz com isso enquanto ouve “The Box” ou se identificar de forma tão intensa com “9 Crimes” e perceber que você já desejou aquilo podem indicar sintomas graves de depressão para um ser humano normal, mas ouvir Damien Rice causa isso. Ouvir Damien Rice ao vivo causa isso com uma intensidade dez vezes maior. Vou me esconder atrás disso.

Talvez ainda tenha um pouco de cada pessoa que passou pela minha vida até hoje. Cada uma deixou um pouco de si comigo e, acredito, essa troca tenha ocorrido de forma igual. E, por mais que tenha sido curto, tenho um pouco de você aqui comigo até agora. Um pouco do seu gosto, de seu cheiro, dos conselhos e de cada sorriso bobo que apareceu por aqui. Um pouco das dúvidas e certezas que você deixou comigo ao se despedir dizendo que eu uso o amor para manipular as pessoas e que, por isso, tinha nojo de mim. E, por mais que eu saiba (e você também), ainda é difícil definir tudo isso que está acontecendo comigo e, talvez por isso, ao escrever sobre um show, acabo escrevendo mais sobre você. Não é que eu queira. Ligar você ao Damien Rice não é algo que eu desejava. No fundo, eu só queria seguir a minha vida sem você e ficar bem, assim como você seguiu e não sente a menor falta do que eu representava… se é que eu representava. Eu tô realmente tentando me conhecer melhor, tentando me entender e todo esse processo tem desencadeado muitas coisas, muitas perguntas. Talvez por isso o Damien Rice venha fazendo tanto sentido na minha vida nos últimos meses.

“It Takes a Lot to Know a Man”. “Grey Room”. “MY FAVOURITE FADED FANTASY” e a vontade de sair gritando “What it all, what it all could be…With you” na sua cabeça até conseguir descobrir o que tudo isso que sinto poderia ter se tornado caso fosse algo bom para os dois. Caso fosse algo que viesse dos dois. E é engraçado parar para pensar que, apesar de adorar o O e ter ouvido bastante o My Favourite Faded Fantasy no ano passado, a minha identificação com o Damien Rice veio muito mais pelo momento do que pela música propriamente dita. Tem muito de mim naquelas músicas e só agora, entre o processo mais recente de perda e o show, que pude me dar conta de tudo isso.

Ver o Damien ao vivo marcou. Independente da sua ligação com o cara ou com as suas músicas, é algo que eu recomendo para a vida, principalmente porque pode bater aí na sua cabeça de diversas formas. Na próxima, a minha relação com o show pode ser bem diferente da que aconteceu no último dia 24. No entanto, aqui estou entoando repetidamente o famigerado verso “I can’t take my mind off you” de “The Blower’s Daughter” porque, mesmo sabendo que você me detesta e já deixou o que aconteceu para trás, foi o que me restou sobre você. Foi só o que restou.

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#PoetizandoAsLetras 07 http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2015/poetizandoasletras-07/ http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2015/poetizandoasletras-07/#comments Thu, 17 Sep 2015 03:15:04 +0000 John Pereira http://www.johnpereira.com.br/devaneios/?p=9925 Read More]]> Música: Skank – Ali

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Moça, me responde uma coisa? Foi você quem apareceu ou fui eu que ali entrei? Te juro que não sei o que aconteceu. Me lembro apenas de dar de cara com você e o seu batom caqui, enquanto tu observava algo com esses olhos de águas vindas de outros oceanos. Algo que eu não faço a menor ideia do que era.

Foi quando você me olhou e a única coisa que passou pela cabeça foram todas as tardes que eu gostaria de ter na vida e que, na minha memória, eram apenas miragens e invenções. Talvez você não soubesse na época, mas se eu não posso ter, eu fico imaginando.

Eu não sei se você amou o que estava ali na sua frente ou se tudo o que eu amei de fato era seu. Eu só sei que eu não reagi as suas palavras, ao seu olhar… pois lá estava eu perdido dentro da minha cabeça com todas as tardes que sempre me faltaram, aquelas que não passavam de miragens, de ilusão. Será que eu as teria com você? Não sei, mas você já tinha percebido…. eu me apaixono e, se eu não posso ver, eu fico imaginando.

Você andou e eu fiquei por aqui, não sei muito bem. No fim, era para ser só uma pergunta, mas tenho várias na cabeça. Será que com você eu, enfim, achei o que sempre me faltava? Teria a minha vida todas as cores, colagens, sons… toda a emoção? E, no fundo, você já sabe bem… eu sou pisciano e, se eu não posso ser, eu fico imaginando.

Virá? Um dia saberemos…

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Sabe aquelas três palavras? Então… http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2015/sabe-aquelas-tres-palavras-entao/ http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2015/sabe-aquelas-tres-palavras-entao/#comments Mon, 07 Sep 2015 17:14:40 +0000 John Pereira http://www.johnpereira.com.br/devaneios/?p=9777 Read More]]> Vivemos em um mundo onde amar exige muito mais de si do que deveria. Com o andar das coisas, amar se tornou algo tão complicado que, com diversas crises existenciais ou com a forma superficial com a qual encaramos a vida, se tornou algo quase que inatingível.

O mais contraditório de tudo isso é que, mesmo que inconscientemente, queremos encontrar esse tal de amor que está perdido por aí. Cada um tem a sua lista de desejos e, esteja no topo ou no fim dela, todo mundo pensa em ser feliz tendo alguém do lado, ainda que não seja a sua prioridade no momento. Existem pessoas focadas no trabalho ou em suas descobertas pessoais, assim como existem aqueles que estão magoados até hoje por um relacionamento que não deu certo. Querendo ou não, experiências passadas determinam a ordem dessa lista de desejos e cada um de nós sabe como deve lidar com isso. Ou acredita que sabe.

Quando alguém decide descer do ônibus e te deixar lá, sem saber o que fazer, é inevitável que uma mágoa se instale dentro da gente ou que feridas fiquem abertas sem conseguir se cicatrizar. Talvez elas nunca se cicatrizem, isso é impossível prever. O que fica martelando na cabeça é a eterna sensação de vazio, que gera um medo de viver, de botar a cara no vento ou de sair e sentir a chuva caindo no rosto. É mais fácil se manter em uma redoma, pois é mais seguro do que se entregar e correr o risco de ver tudo se repetir e, quando menos esperar, ver outra pessoa descendo do ônibus e te deixando sem reação. “Por qual motivo eu correria um risco de me machucar de novo se aqui é mais seguro?”, diria uma pessoa precavida, ainda que isso não seja 100% seguro.

Hoje em dia, se tornou comum a gente buscar no parceiro um conjunto de características que não possui ou que consideramos fundamentais para que ele seja capaz de nos satisfazer. Não basta a pessoa ser legal, companheira, divertida, inteligente ou bonita. Ela precisa torcer para o mesmo time que o seu, amar a sua banda preferida na mesma intensidade que a sua, gostar dos mesmos filmes e séries, ter a mesma disponibilidade para sair e viajar, usar as mesmas gírias que você usa diariamente, tomar a mesma cerveja… passamos a exigir muito mais das pessoas antes de se entregar e viver algo que pode ser legal e duradouro. É como se eu criasse um ranking onde a pessoa é eliminada caso não goste de Red Hot Chili Peppers ou odeie 007. Isso me faz pensar que, com tantas barreiras, é claro que as relações serão superficiais. Nunca será profundo o suficiente. Sempre faltará algo. Então, é mais fácil eu utilizar o Tinder ou ir para a balada para passar o tempo, não é mesmo?

Certa vez, eu ouvi de uma pessoa que o amor não é uma coisa forçada ou implorada. Ele simplesmente acontece e, quando a gente vê, ele se instalou e não sabemos como se livrar ou vivenciar. Segundo ela, a gente realmente não escolhe por quem nosso coração irá bater mais forte e nunca teremos o controle disso, por mais que a gente queira. E ela não está errada. Tanto que hoje, é por ela que esse coração que guardo aqui bate mais forte.

Ela entrou na minha de uma forma tão peculiar que eu não percebi o quão especial poderia ser. Hoje, a sinto deixando de fazer parte da minha vida e percebo o quão especial todo esse tempo foi. Com o passar do tempo, a gente acaba se blindando e, por muitos momentos, não consegue perceber a importância de tudo aquilo que está na nossa cara. Como bem diz minha psicóloga, a gente precisa sair daquela situação e observar de fora, seja como um mero espectador da situação ou até mesmo com o olhar do outro envolvido. Esse é um exercício difícil para quem está constantemente fechado em uma redoma onde se vive só. Você perde essa habilidade de analisar as coisas e se sente incapaz de executar tal ação. É só mais uma barreira que a gente mesmo cria, ela diria. E, mais uma vez, ela não está errada.

Ela apareceu quando eu tava acostumado a viver a vida transitando entre bares e shows, tomando uma boa cerveja e escutando as minhas músicas preferidas. Hoje eu vejo o quanto levava uma vida solitária, pois eu sequer era capaz de indicar coisas para as pessoas ouvirem. Apesar dos amigos presentes, eu estava curtindo a minha rotina egoísta, que me fazia decidir ir para shows em outras cidades faltando dias para eles acontecerem, sem sentir a necessidade de me planejar ou ter algum tipo de controle. Eu comprava os meus próprios presentes e me agradava com uma cerveja artesanal, um box de uma série, um CD ou DVD novo. Eu me levava para comer coisas legais e tudo aquilo parecia perfeito. Solitário, mas perfeito. Eu poderia largar tudo e me mudar para a Holanda sem qualquer preocupação além da financeira. Minha família estaria no Skype. Meus amigos estariam no Facebook. Eu tinha a minha zona de conforto que era inabalável. Era.

No início, parecia só mais uma pessoa. Mais uma amizade que seria legal cultivar, mas que não passaria disso. Com o tempo, a sua rotina passou a fazer parte da minha. Ela tinha hora para dormir, ela precisava estudar, ela passava o dia inteiro na faculdade, ela ainda tinha tempo para mim, ainda que me xingasse pois a estava “tirando do seu foco”. Mal sabia ela (e eu também) que, na verdade, quem estava sendo tirado do foco era eu. Na verdade, ela sabia. A gente brigou por motivos aleatórios e, no fim, lá no fundo a gente sabia que tinha algo além dessa amizade louca que fazia a gente se falar quase que diariamente. Por aqui, o mundo parava quando chegava algo e ele não voltava a girar enquanto não enviasse uma resposta. Isso acontecia por inúmeras vezes ao dia e, quem passava muito tempo por perto, percebia. Só eu que não. Talvez eu não queria dar o braço a torcer, mas certamente tinha medo do que tudo aquilo poderia resultar. Quando dei por mim, ela já estava instalada aqui dentro do peito e não dava mais para, simplesmente, expulsá-la.

Me pergunto como diabos isso aconteceu. A gente pensa de forma parecida, temos várias opiniões que batem, personalidades parecidas, jeitos semelhantes de lidar com certas situações, mas temos gostos um pouco diferentes. Ela ama terror, consegue viver normalmente sem música, consegue falar abertamente sobre sexo… Eu gosto de ação, não consigo viver sem música e me sinto travado ao falar de sexo. Me pego pensando e vejo que, se eu fosse seguir o tal conjunto de características que procuraria em alguém, talvez ela não se encaixaria. E isso é o mais legal porque, ainda que não tenha dado certo, ela me fez perceber que, no fim das contas, não existe ninguém que vá se encaixar nesse molde perfeito que buscamos. No fim, as diferenças não existem para eliminar o outro, mas para nos fazer perceber o quanto podemos melhorar e aprender com aquela pessoa. Essa é a grande questão da vida. Esse é o ponto que fez com que a redoma em torno de mim e do que eu sentia se quebrasse. Depois desse tempo vivido e de tantas noites em claro com ela do outro lado da tela falando ou fazendo coisas malucas, era difícil passar imune por tudo isso.

É difícil explicar. São várias coisas passando pela cabeça, várias definições para tudo isso. Ao mesmo tempo em que estou aqui vendo o lado bom das coisas, eu posso estar só fantasiando isso na minha cabeça e tentando florear algo que nunca existiu. Ou que só eu quisesse que existisse. É difícil definir sentimentos, nada é exato ou passível de um significado típico de dicionário. Cada um vê e vive a vida de uma forma, cada um tem definições próprias para as coisas. Dizem que o amor não tem começo ou fim, ele apenas se transforma com o passar do tempo e, com cada transformação, a gente vai evoluindo e buscando ser alguém melhor e, obviamente, lidar melhor com esse sentimento louco que faz parte da gente. Você pode deixá-lo guardado, pode achar que não precisa dele, pode acreditar que ele pode ser bom e viver… o que cada um faz com ele não importa. O que importa é que ele está ali, de mãos dadas contigo e pronto para bagunçar a sua vida após uma simples viagem interestadual de ônibus.

Ela não sabe, mas bagunçou a minha vida. Me tirou da zona de conforto e me fez ter certeza de que eu preciso evoluir como ser humano. Ela não sabe o quanto mudou a minha vida porque eu nunca fui tão claro como deveria. Ela nunca ouviu de mim o quanto ela é especial de uma forma espontânea. Talvez ela se lembre da minha cara de idiota ao acordar, daquele olhar de admiração por ela estar do meu lado que me fazia apenas sorrir e me sentir feliz por estar ali, sem dizer uma palavra sequer. No entanto, palavras precisam ser ditas… e até hoje eu nunca disse a ela aquelas três palavras que, por mais que tenham se tornado banais no mundo em que vivemos, ainda são muito boas de se dizer e também de ouvir quando vem de dentro.

Hoje, talvez seja tarde para dizer. Eu não sei. Um dia isso tende a passar e não irá doer tanto como agora. Talvez apareça outra pessoa que se sinta pronta para lidar com tudo isso que sou, que possa me dar a mão e me ajudar a seguir adiante. Eu não sei prever o futuro. Eu não sei nem qual será o meu futuro. Talvez eu nem esteja aqui, sentado nessa cadeira. Talvez essa outra pessoa nunca apareça. Talvez essa pessoa já esteja por aqui e eu não saiba. É impossível prever…

Se tem algo que eu aprendi com tudo isso, foi a viver o presente. E, no atual momento da vida, o meu coração apenas pede para olhar nos olhos dela e dizer: EU TE AMO!

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Sometimes (I Wish) http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2015/sometimes-i-wish/ http://www.johnpereira.com.br/devaneios/2015/sometimes-i-wish/#comments Tue, 11 Aug 2015 20:02:24 +0000 John Pereira http://www.johnpereira.com.br/devaneios/?p=9755 Read More]]> Todo mundo já parou em algum momento para pensar na vida. Eu, você, as pessoas que estão ao seu lado… E é tão louco parar e pensar em tudo isso, já percebeu?

Nessa busca pelo tal ideal, seja ele qual for o que criamos em nossa cabeça, a gente é capaz de se perder, se encontrar, se sentir sozinho ou com o coração aquecido por ver que pessoas são capazes de cruzar o nosso caminho e, de certa forma, nos transformar.

Por muito tempo, acreditei que eu era uma pessoa auto-suficiente, que eu poderia viver sozinho e fechado em minha redoma. Tenho pessoas próximas, amigos, confidentes e a minha família, mas isso para mim era o suficiente. A vida passava e cá estava eu, quieto, vendo tudo pela janela com uma sensação inútil – e até enganosa – de paz interior. Por mais que sempre tenha guardado na cabeça a vontade de ter uma família, casar e ter filhos, não era algo para o qual eu me sentia capaz. E, se querem saber, ainda não me sinto capaz disso. A cada dia que passa, percebo que ainda tenho muito para crescer antes de me dar ao luxo de colocar uma criança nesse mundo e completar a trinca plantando uma árvore e escrevendo um livro.

No entanto, já perceberam que a vida nunca é como a gente quer? Todo mundo tem os seus ideais, as suas expectativas de crescimento, sejam elas pessoais ou profissionais e, em vários momentos, esbarramos nos tais obstáculos. E, enquanto caem algumas lágrimas na sala de trabalho por tentar colocar para fora essas palavras, percebo que aquilo que eu evitava ao máximo sentir fez o favor de bater na porta. E da forma mais inesperada possível. Pois é, eu me apaixonei. De novo.

Por muito tempo, ouvi a história de que esses são os amores que ficam, aqueles que são capazes de te marcar e, de alguma forma, te transformar. Posso dizer que eu sou uma pessoa sortuda porque todo mundo que passou de alguma forma pela minha vida foi capaz de me fazer aprender e me tornar uma pessoa melhor. E eu já errei demais. Fiz coisas das quais eu me arrependo até hoje e que, por mais que eu tenha vontade, nunca serão consertadas. Entre idas e vindas, cada pessoa que passou por essa confusa e absurda vida que levo deixou um pedaço e ajudou na construção daquilo que eu sou hoje.

Há exatos cinco meses, essa pessoa pela qual me apaixonei apareceu na minha vida da forma mais inesperada possível. Graças ao City And Colour e a uma viagem louca para o Rio de Janeiro que parecia fadada ao fracasso, eu conheci alguém que, nesse tempo, foi capaz de me ensinar a cada dia, seja por tudo que ela me falou, pelas broncas que recebi, pela sua história de vida ou por ver alí, na minha frente, uma pessoa tão imperfeita quanto eu, que luta contra traumas parecidos com os meus, que busca aprender a lidar com o outro da mesma forma eu e que, mesmo quando tudo parece perdido, como parece estar agora, ainda é capaz de me fazer sentir mais completo, como a muito tempo não acontecia.

E é nessas horas que a vida é capaz de te socar de formas inesperadas. E, dependendo do seu grau de auto-conhecimento, você simplesmente não faz ideia de como se recuperar de cada um desses nocautes que acontecem do nada, como em uma das rápidas lutas da Ronda Rousey. Quem nunca se apaixonou, não é mesmo? Quem nunca viu a ficha cair e perceber que, alí, na sua frente, estava alguém especial a ponto de te fazer sentir algo que você queria simplesmente sair correndo ao sequer ouvir falar.

O problema de tudo é que isso me deixa com medo. Medo de perder, medo de me machucar, medo de me decepcionar ou decepcionar o outro… medo de ser feliz, talvez. E isso me bloqueia. Faz com que, por mais que eu tenha a vontade de sair gritando, ligar para a pessoa e disparar a falar tudo o que sinto, faz com que eu me limite apenas a continuar enxugando as minhas lágrimas. Na verdade, tudo que eu quero é ser capaz de encarnar a Ronda Rousey e nocautear todos os meus medos, me ver livre de todos esses escudos que carrego comigo e poder ser, depois de muito tempo, alguém de quem eu sinta orgulho. Essa redoma na qual me enfiei acaba de me impedindo de viver a vida como poderia e, nesse processo, eu vejo as pessoas passando. Pessoas incríveis como essa que motivou o texto e as lágrimas, me fez sentir algo que eu estava evitando sentir, que lutou durante cada dia desses cinco meses para que eu pudesse me abrir e tentar ser uma pessoa melhor, que me fez olhar para dentro de mim e ver muito do que está guardado e que eu preciso colocar para fora, como se fosse o anjo que eu realmente precisava nesse momento da vida.

A outra forma seria falar da minha vida através de músicas. Como trabalho em uma rádio popular, enquanto escrevo essas palavras, tocou uma música cuja letra acaba por resumir tudo o que aconteceu na minha vida nos últimos cinco meses. Na música, o cara relembra que se entregou a um amor no passado, acabou sofrendo e acreditando que dava para se virar sozinho, sem precisar de carinho de pessoas que podiam lhe machucar. Desacreditado dessa coisa de amor, achou melhor se fechar… até que alguém apareceu e lhe deu proteção, baixou a sua guarda e mexeu com a emoção… e ele percebeu que, por mais que queira e seja mais fácil, não dá para simplesmente fugir disso. E se colocou a disposição para correr o risco e viver tudo aquilo novamente. O pior é que isso talvez seja mesmo o certo. Apesar de não querer sofrer, foi uma das várias frases que ouvi atentamente dessa pessoa nas últimas 24 horas. Além dessa música que surgiu do nada, é complicado também não associar toda essa história ao City And Colour. É impossível não associar ela ao City And Colour, ainda que a gente sequer tenha ouvido uma música ao lado do outro ou visto juntos aquele show que fez com que a gente se cruzasse na estrada a 5 meses atrás. Talvez essa seja a trilha sonora dessa relação que eu ainda não sei se chegou ao fim. Como diria Dallas Green nesse momento, “se eu fosse um homem simples e pudesse fazer você entender, não teria razão para pensar duas vezes: Você seria o meu sol. Você seria a minha luz”.

Por tudo isso, o soco doeu e eu acusei o golpe. No entanto, o que dói mais é que ainda não consigo me abrir como deveria. No fim, a única forma que o meu bloqueio permite com que eu me expresse de forma mais ideal possível – fora utilizando-se da cerveja, é quando paro e começo a escrever. Sim, eu sei que isso pode parecer errado para você (e tenho certeza que ela vai pensar o mesmo caso venha a ler tudo isso), mas hoje é a forma que me sinto a vontade para colocar tudo para fora.

No fim, a sensação é de que a vida nem sempre é justa ou perfeita com aquilo que sentimos.

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E, se um dia você ler isso, saiba que tudo o que saiu dessa cabeça perturbada e insana foi com a intenção mais pura e verdadeira do mundo. Obrigado pelos peixes, pelos sorrisos e por ter se entregado. A casa continua aberta e, pode ter certeza, estarei aqui com uma boa cerveja e uma caneca vermelha na mão, com o mesmo olhar encantado e embasbacado que se tornou parte de mim.

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